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29/9 – SAN MARCO o Monstro.

Navio de passageiros e carga (Carvão), foi afundado pelo submarino Inglês Clyde, em 1 junho de 1941 ao largo da ilha de Serpentara , não houve sobreviventes. Encontra-se a 107 mtrs de profundidade.
O famoso breifing para o SAN MARCO, já não podiam ir todos, só alguns. No 1º grupo Aldo Ferruci, Stefane, Armando, José, Fil, Colin, John, Simon. Levantar pelas 7.00h.
Irá ser um mergulho a sério, escrever o plano na slate e dormir é norma habitual.
Preparar embarcações, todos a bordo, vamos para o San Marco, o mar quase não mexia, a tranquilidade entre todos os elementos fazia-se sentir, ao fim de 25 min estavamos sobre o Navio. Foram formadas 3 equipas, 1ª Aldo, Stefane; 2ª José Armando; 3ª Fil, John, Simon; o Colin teve problemas nas células e não mergulhou.
Com a 1ª equipa pronta e todos já com os fatos vestidos surge o 1º contratempo, a bóia de sinalização tinha desaparecido durante a noite e as marcas do gps não coincidiam com a sonda, estivemos cerca de 1 hora a tentar encontrar o naufrágio... até que como por milagre o San Marco dá sinal de vida, foi como um golo no ultimo minuto.
O animo volta a todo o grupo, Aldo e Stefane entram na água e desaparecem, ao fim de 10min preparam-se as outras equipas, entramos todos ao mesmo tempo, nadamos para a shot, a descida tinha de ser feita rapidamente. Assim foi, 20; 30; 50; 70; 80; 90; 105, em 3 min estávamos lá, no entanto estes simples 3 minutos parecem não ter fim, a shot passa-nos por entre os dedos e nunca mais acaba, finalmente lá estava o San marco, é simplesmente um monstro, enorme, maior do que possamos imaginar, encontra-se deitado de lado, envolto num cinzento ligeiramente azulado, a luz solar já praticamente não existe.
Fotos de Ricky


Caímos no ultimo terço do navio ligeiramente para a proa, o casco tinha um buraco de lado a lado, haviam montanhas de carvão que saiam de dentro dele (era a sua carga principal), nadamos em sua volta tentando vislumbrar sempre algo mais, caixas intactas, louças, vigias ainda com os vidros, casas de banho , etc. Foi um regresso ao passado, sentimo-nos minúsculos perante este senhor dos mares.
O tempo “voa” sem parar, 12min é tempo de voltar, conforme planeado e todos sem excepção, estávamos na shot no minuto certo, a subida como sempre iria ser lenta e longa, esperam-nos 2 horas para chegar á superfície (tempo combinado entre todos).

Correu tudo como o planeado, ainda deu tempo para dizer adeus ao San marco aos 80 mts, já no final da descompressão o Aldo tirou-nos algumas fotos no trapézio, mais umas para recordar com os amigos. O jantar foi divertido, esperando sempre o breefing para o dia seguinte.
Desta vez eram só 2 grupos, pois alguns já não queriam mergulhar tão fundo, outros queriam descansar, os nossos amigos Ingleses já estavam de fora, agora só restavam alguns resistentes, entre eles nós os Tugas.
Um barco iria para San marco ou Bengasi, outro iria para Valdivagna menos fundo 72mtr.
Todos puderam escolher o naufrágio que mais desejavam, eu escolhi San Marco, o Armando e Fil escolheram Valdivagna, eram as ultimas fotos do Armando.
Fui integrado num grupo de top divers liderado por Tom Jaspers (grupo holandês) e Stefane (grupo francês), agora mais do nunca, não poderia facilitar.
30/9 – Novamente o Monstro.
7.00h o despertador já toca, levantar e sair, verificar tudo novamente, calibrar, etc. Agora mais tranquilo vamos ao pequeno almoço, comer bem que me espera um longo mergulho.
Desta vez não iria ter a companhia dos meus amigos habituais, é um pouco estranho estar agora sozinho no meio dos Craks, mas afinal é para isto que treinamos.
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Ao chegarmos á marina, havia mais um elemento connosco, o famoso vento Mistral, estava forte e bruto, logo o mergulho não iria ser mesmo nada fácil. |
O mar estava com vaga de 1,5 a 2 mtr, com carneiros por todos os lados, estava bruto, finalmente um mergulho de expedição a sério. O silêncio a bordo reinava, todos respeitavam os elementos que nos rodeavam, o mar não estava para brincadeiras. 25 min de pancada e chegamos ao local, tínhamos de equipar com alguma ligeireza, pois o vento e mar forte deixam marcas.

O 1º grupo foram os Holandeses, eu ajudei o Tom a equipar, dentro de minutos estavam na água, depois foi a nossa vez, ao fim de 10min entravamos nós, de repente surge na água Patrick , teve problemas de Low oxigen, o mergulho para ele tinha terminado, mais uns minutos de pre-breath e ok, prontos para ir ter com san marco.
Entarmos na água, nado para a shot e vamos para baixo sempre a abrir com Stefene e Robert, 20, 30, 45 o 1º minuto estava passado, 55, 75, 95, já o avistamos, e com 2 min e pouco estamos em cima dele.
Fotos de Ricky


Lindo, para mim hoje a visibilidade está melhor, mas a água muito mais fria, nadei em seu redor para apreciar a sua silhueta e contornos, consegui ver-lhe a proa, gigante, voltar para trás, entrar um pouco, tocar numas louças brancas, voltar a subir um pouco e o mergulho está a terminar, tínhamos combinado menos tempo desta vez, e 12min a 100mtrs tinham passado num instante, apesar de termos a sensação que tudo se passa muito devagar, pois a calma e o silêncio na profundidade têm ritmos diferentes dos do relógio, é esse o perigo.
Já na subida entre os 80 e 70 mtrs disse-lhe adeus, mas eu não queria sair dali estava como hipnotizado, o San Marco é fenomenal, lentamente vai desaparecendo do olhar, até sempre.
Agora era só esperar que o resto das 2 horas de mergulho passassem depressa, impossível .
A partir dos 12mtrs a força do mar fazia-se sentir, a shot dava esticões fortes, o que obrigou a usar jon line durante a maior parte da descompressão.

Foto de Stephane Harvard
Na superfície o mar estava muito bruto, desequipei rapidamente e subi com a máquina ás costas (nada recomendado), a viagem de regresso foi feita a tentar vencer o mistal, vaga após vaga o spray enchia o barco, foi uma loucura, mas valeu a pena, um verdadeiro mergulho de expedição…
Foi uma viagem espectacular, que nos vai abrir outros horizontes em breve, não apenas para nós como para os restantes elementos do nosso grupo.
Tchau!

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