Expedições
Xpedition Team -
Viminale
Itália, Palmi 21-29 Setembro 2007
A Partida | A Preparação | 1º Mergulho | 2º Mergulho | 3º Mergulho | Mau tempo | Mergulho traiçoeiro

Dia 21 - A Partida
A equipa In-Silence vai participar em mais uma expedição internacional integrando a xpedition team de Aldo Ferrucci, e desta vez para visitar um dos mais fabulosos naufrágios do mediterrâneo, o navio Viminale, que se encontra a 110 mtrs de profundidade.
Como é de costume nestas aventuras, tudo teve inicio alguns meses antes, com todas as confirmações e pagamentos iniciais. Alguns dias antes da partida toda a bagagem pesada teve de ser enviada por carga aérea, para evitar os custos elevadíssimos do excesso de peso (122kg cada mergulhador) dos voos comerciais, desta vez tivemos todo o apoio possível da companhia aérea Alitalia, nas pessoas de Carla, Carlos e assistente Joana que nos trataram como vips.
Já a bordo e instalados na 1ª linha, só nos restavam as cerca de 2h30min para a primeira escala em Roma, de onde seguiríamos para Régio di Calabria, que se situa mesmo na “ponta da bota” no sul de Itália, a partir dai o nosso destino seria um porto em Palmi, onde se encontra toda a equipa, dando inicio à expedição.
Encontramo-nos calmos e tranquilos, esperamos encontrar alguns amigos de outras aventuras e desfrutar com eles fantásticos momentos. Por volta das 22h45min chegamos finalmente a Régio di Calabria, onde esperávamos encontrar alguém á nossa espera, mas nada…. Foi o início do primeiro contratempo, o nosso amigo Aldo encontrava-se a caminho e a cerca de hora e meia do aeroporto, no entanto para piorar as coisas, a nossa carga (enviada uma semana antes) ainda não tinha sido recebida por ele conforme combinado, e como os escritórios da Alitalia carga estavam fechados, só no dia seguinte, sábado, as poderíamos levantar.
Desta forma não fazia sentido irmos para o porto de embarque para no dia seguinte termos de voltar ao aeroporto. Desta feita tivemos de improvisar o plano B, tentar encontrar dormida em régio e no dia seguinte levantar as bagagens. Foi engraçado falar em Italiano e Inglês ao mesmo tempo com os taxistas e pessoal do check in, mas com boa vontade, conseguimos arranjar uma boa taxista que nos encontrou um dos poucos hotéis disponíveis para pernoitar, o “Hotel Primavera”, tipo anos 60, com os quartos em remodelação, nada mau, mas custou-nos 80 euros para começar.
Amanhã esperamos que corra melhor, pois vai ser o 1º dia da expedição.
Dia 22 - A preparação.
Logo pela manhã e após o pequeno-almoço mais “plástico” das nossas vidas, fomos levantar as nossas bagagens aos armazéns da Alitalia Express, um pequeno barracão junto ao aeroporto. Fomos bem recebidos e após algumas formalidades e mais 70 euros de taxas, finalmente recebemos os nossos rebreathers e restante equipamento. Até então estava tudo a correr bem, os nossos amigos já deveriam ter chegado, mas sofreram um enorme atraso e chegaram ás 11h, uma seca das antigas.
O nosso amigo Marco (expedição Andrea Dória), transportou-nos para o porto de Palmi , cerca de 60 km de carro, um local muito industrial, onde existe uma pequena doca, onde se encontra alguns barcos de pesca e junto deles o nosso, o Odissey II, um clássico de madeira e com bom espaço interior com um deck um pouco apertado para 10 mergulhadores.

Na chegada já se encontravam todos os membros da expedição a iniciar a preparação de todos os equipamentos, iria ser uma longa manhã e tarde até estar tudo pronto. Após cumprimentarmos toda a equipe, iniciamos também nós a árdua tarefa de montar tudo novamente, uma enorme variedade de garrafas, rebreathers, reguladores, caixas, sacos, câmaras de vídeo e foto, scooters, enfim todo o hardware destas aventuras, encontrava-se organizado pelo chão.
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Algum tempo depois os primeiros contratempos começaram a surgir entre alguns mergulhadores, problemas com softwares de computadores de mergulho e códigos pin de acesso a desaparecerem, visores de câmaras vídeo a não funcionarem, baterias fracas, etc, algum stress e alguma ansiedade pairavam sobre nós, o que nos levaram a cancelar o 1º mergulho de testes para o dia seguinte, e assim termos todo o tempo e calma para solucionar os problemas encontrados.
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Por volta das 18h encontrávamo-nos a conversar no deck, esperando o jantar que já estava ao lume (uma bela lasagna), em nosso redor só haviam rebreathers e stages, scooters, etc, um ambiente perfeito de exploração.
Só nos resta conversar sobre os planos para o dia seguinte, para que tudo corra da melhor maneira, desta feita o combinado foi que a alvorada seria ás 8h e partiríamos ás 9h para o primeiro mergulho no Viminale.
Estavam constituídos 3 grupos de mergulhadores:
1º Aldo, Tom jaspers, Patrick Box, Marco, que vão prender a shot ao destroço, e só depois os restantes grupos entram na água.
2º José Marques, Armando Ribeiro, Mauro.
3º Marco, Dick, Michael.
O nosso plano vai ser 25 min de fundo (para teste), o que nos iria dar um mergulho de cerca 3h30min. Agora era tempo de dormir, pois amanhã vai ser um longo dia cheio de emoções.
Dia 23 - O primeiro mergulho
Levantei-me ás 7h30m e de imediato fui calibrar o meu rebreather antes do pequeno-almoço e da azáfama matinal, estava tudo ok, logo poderia ir tomar um belo pequeno-almoço mais tranquilo com todo o pessoal. Antes da partida, ainda houve tempo para alguns enchimentos de ultima hora. Eram 9h quando soltámos amarras, o destino “Viminale”, a viagem é curta, cerca de 30min até ao local, durante o percurso Aldo Ferrucci, explicou-nos num detalhado breefing como deveria ser o mergulho, plano de segurança, bem como as melhores partes a visitar, todos estavam atentos naquele que seria o ultimo momento antes do mergulho.
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Na chegada ao local foi tempo de lançar a shot, tentar fixa-la ao destroço, para tal Aldo, Marco, saltam para a água, de imediato surge o primeiro contratempo, um pequeno O´ring do manómetro de pressão de Aldo rebenta, teve de ser substituído ali mesmo, tarefa algo difícil, instantes depois já desciam para prender a shot .
No deck todos aguardavam o signal de ok para podermos equipar, uma bóia vermelha teria que romper a superfície, 15 minutos depois lá estava ela, era agora.
Tom e Patrck já estavam equipados para entrar com os seus Twin Megs, são 2 rebreathers juntos, totalmente redundantes, uma verdadeira loucura. Para mergulhos profundos e prolongados onde o bailout é impossível de transportar, só resta este tipo de soluções, pesam 72kg cada kit e cerca de 20.000 euros.
Já na plataforma e prontos para saltarem juntamente com as suas scooters e câmara de filmar, o primeiro grande azar acontece, a câmara de filmar desprende-se da scooter e cai pelo abismo azul, foram 3.000 euros por água abaixo. As expedições têm destas coisas, azares e imponderáveis que ninguém pensa que podem acontecer, mas acontecem.
Também eles saltam para o seu mergulho, 20 minutos depois, o 2º grupo Armando, José e Mauro, saltam para o Viminale, `*agua de um azul-turquesa maravilhoso, morna 22 a 24 graus, iniciamos a descida…

Uma fortíssima corrente reduziu-nos a velocidade de descida, a partir dos 35 – 40mtrs a visibilidade diminui, muita suspensão turvava um pouco a água, 60, 70, 80, 90 e de repente a água limpou e lá estava ele imponente, simplesmente fabuloso, 10.000 ton e 150 mtrs de comprimento à nossa espera.
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A shot estava entre a proa e a super estrutura, esta tem a altura de um prédio de 4 andares. Por instantes ficámos a contemplar este maravilhoso espectáculo até nos decidirmos qual o rumo a tomar, decidimos nadar em volta da ponte olhando para o seu interior misterioso, cheio e salas e galerias por onde trespassa uma luz azul clara que o transforma num ambiente fantástico de luz e sombras. Não resisti e entrei, nadei ao longo de um longo corredor do lado de estibordo passando por algumas portas abertas, decidi mais uma vez entrar por uma delas, um enorme salão encontrava-se na minha frente, era a sala de jantar, deslizei em seu redor, a escuridão fez-se sentir, mas aqui ou acolá a luz entrava facilitando a navegação e orientação.
Quinze minutos já tinham passado, havia que regressar e ver outra zona, dirigimo-nos para a proa, também ela soberba, pelo caminho entrámos na zona de apoio à tripulação, onde se encontram os seus quartos, wc, cozinha ainda com as mesas e imensas pilhas de pratos, e lá vai mais um para a colecção.
23 Minutos, o tempo passa rapidíssimo, o regresso ao cabo de subida tinha de ser contra a corrente, mas este já estava perto e aos 25 minutos de mergulho estávamos prontos para iniciar a longa subida.
| Foi um mergulho fabuloso, mas o Viminale tem muito mais para ver e descobrir, a subida foi muito longa com inúmeros deep stops e patamares de descompressão, o que ajudou foi a temperatura da água que ia aumentando á medida que subíamos. Aos 35 metros ainda nos faltavam mais de 3h de descompressão pela frente. No total foram 4h e 22min de mergulho, uma grande seca, mas é o preço a pagar por visitar este maravilhoso naufrágio. |
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O Armando foi um companheiro á antiga, sempre preocupado com as imagens e comigo, e vice-versa. Infelizmente a sua máquina não quis trabalhar, logo sem vídeo só nos restam as fotografias que vai tirar amanhã.
Toda a equipa não sofreu nenhum acidente nem sintomas de DCS, os rebreathers não tiveram falha alguma, tudo perfeito.
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Por volta das 17h já nos encontrávamos de volta ao porto, para preparar o mergulho seguinte. Encher as garrafas vai ser a 1º tarefa, seguidamente tratamos dos rebreathers, células, sofnolime, roupas, baterias etc.
Ás 19h já se conversa no deck com mais tranquilidade esperando o jantar, sempre magnífico, confeccionado pelo nosso cozinheiro de serviço Carlo, que é servido religiosamente ás 20h.
A equipa distribui-se por 2 mesas, a refeição é um momento sempre animado e bem disposto, uma bela pasta com salada, vinho, pão, cerveja, e muita água. Depois é tempo para o breefing do dia seguinte, ajustar grupos e considerações gerais para melhorar o funcionamento de todo o grupo. Amanhã será um novo dia em que tudo terá de correr da melhor maneira.
Agora escrevo estas linhas com espírito de dever cumprido e de ter a felicidade de poder estar a viver momentos únicos na minha vida. |
Dia 24 – 2º mergulho
Como sempre a alvorada foi ás 7h30m e rapidamente fui calibrar o meu ourobouros para mais um mergulho, o pessoal já se encontrava a fazer os mesmos preparativos, o pequeno-almoço foi tomado logo de seguida, hoje a saída seria mais cedo para não haver atrasos.
Com todos os grupos definidos bem como as tarefas atribuídas, foi mais fácil despacharmo-nos.
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Aldo e Marco foram em 1º, 15 minutos depois Tom e Patrick, após 15 minutos eu e Armando, os restantes grupos foram entrando em intervalos de 15 a 20 minutos cada, assim haveriam sempre mergulhadores na shot em caso de algum problema.
Hoje havia menos corrente mas a partir dos 75 mtrs esta era fortíssima o que nos atrasou um pouco a descida, no total foram 6 minutos, melhor tempo que no dia anterior, no entanto no deck a 100 mtrs, era difícil de suportar a corrente, e rapidamente tivemos que descer para um dos porões e partir para mais uma descoberta. |
O Armando fotografava, mas a visibilidade encontrava-se pior o que dificultou um pouco as coisas, aos 15 min partimos para outro local, fomos á ponte de comando, e ao piso inferior a esta, entrámos nos seus corredores por breves momentos, fantásticas divisões e salas que ficam “encantadas” com o jogo de luzes que se forma nos seus recantos e janelas, imaginamos o que no seu interior se teria passado. Por instantes já decorreram 20 min e o caminho de regresso não é curto, mas é a favor da corrente, e aos 27 min iniciamos a subida junto ao cabo.
Para reduzirmos o tempo de descompressão, alterámos o set point de 1,3 para 1,5 PP02 desde o inicio da subida, no final foram 3h e 25m de mergulho com uma CNS de mais de 180%. Ao longo do cabo foram-se juntando todos os mergulhadores nos respectivos patamares de descompressão, alguns passeavam de scooter para passarem melhor o tempo.
No final por volta das 15h, o mar estava alterado, pois o vento já soprava com alguma força dificultando a subida para a plataforma do barco.
Às 16h encontrávamo-nos no porto a tratar de todo o equipamento para o dia seguinte, no entanto tivemos uma agradável surpresa, um maravilhoso lanche esperava por nós, uma Pasta de lagosta inesquecível serviu para nos aconchegar o estômago. Em seguida foi tempo para a foto oficial da expedição, todos no deck e click , mais uma para a parede.

O tempo passa depressa e todos os momentos são passados com actividades, encher garrafas, secar células, encher scrubbers, analisar gases, tirar fotos, filmar um pouco, conversar e beber uns copitos também. Eu tenho a minha tarefa adicional de ir escrevendo o diário de bordo, são 18h aguardamos o jantar, o tempo está belíssimo com uma temperatura amena, todos calmos e bem dispostos.
Após o jantar foi altura do Armando mostrar porque é mesmo bom, as 1ªs fotos do Viminale estão muito boas e vão melhorar ainda mais, todos ficaram bem impressionados com a sua capacidade de fotografar tão bem a grandes profundidades, só nos restava esperar pelo dia seguinte para ver a evolução do seu trabalho.

Dia 25 – 3º mergulho
O dia amanheceu chuvoso na continuação da noite anterior, algumas roupas estavam molhadas, o que tornou tudo um pouco mais desconfortável, mas teríamos de continuar positivos e animados.
Após o ritual da preparação dos equipamentos foi altura de partirmos. Eram 8h30m e já estávamos a caminho, hoje o nosso plano era visitar a casa das máquinas que se encontra a meio navio, cuja entrada será feita por uma pequena clarabóia partida, directamente para o seu interior, irá ser uma descida dos 90mtrs até aos 115mtrs, no ponto mais profundo e mais perigoso do navio.
O mar estava mais alterado, o vento estava a mudar, o que não é bom sinal. Quando saltámos para a água a visibilidade não era das melhores, mas a corrente estava mais calma. Aos 40mtrs a corrente aumenta de intensidade, 50,60,75mtrs, a partir desse ponto só descemos a puxar pelo cabo arrastando-nos até ao Viminale, tarefa árdua e muito cansativa, 6 minutos depois estávamos sobre o deck na zona da proa, a corrente estava fortíssima, mas a favor do nosso percurso.
Iniciamos o mergulho em direcção á Ponte de comando, passando por dentro do corredor, a 1ª estrutura estava ultrapassada, um pouco mais á frente no cimo da 2ª estrutura lá estavam as clarabóias, uma delas partida, era aí o local.
O Armando ainda quis ir mais além e fomos para o porão de carga da popa quase no fim do navio, descemos por ele até ao fundo onde se encontram os 2 veios das hélices bem como num dos bordos um enorme buraco, resultado dos torpedos que o afundaram.

13 Minutos estavam passados, o caminho de regresso era contra a corrente fortíssima, quando chegamos ás clarabóias o Armando teve de se encolher para entrar, e foi descendo até ao fundo disparando o flash em todas as direcções, os motores eram gigantes, 4 pisos de escadas e varandins, maquinas e manómetros, cilindros, tudo surgia aos nossos olhos sempre que o flash disparava, pois a escuridão era total, um local belo, misterioso e ao mesmo tempo medonho nas entranhas do Viminale, pois a 115mtrs dentro de uma estrutura labiríntica toda a concentração pode ser pouca.

21 Minutos tinham passado, restavam-nos 4 para regressar á shot, muito pouco tempo, pois encontrávamo-nos ainda longe e a corrente era contra nós, foi um regresso muito cansativo e extenuante, era preciso não entrar em ansiedade e controlar a respiração, aos 28 minutos conseguimos chegar e iniciar a subida.
O Armando teve esforço suplementar pois a sua câmara mais flashes dificultam a natação causando-lhe um imenso drag. Quando chegou à shot teve de parar uns minutos para restabelecer ritmo respiratório, a sua respiração era ofegante, bolhas saiam por todo lado, foi um momento tenso, sem entrar em pânico (seria o fim) e controlando emoções e ansiedade, rapidamente conseguiu abrandar ritmo cardíaco, eu tentava tranquiliza-lo pois afinal tínhamos gás para mais de 5h de mergulho, logo mais minuto menos minuto tudo se resolveria.
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A subida foi feita com o set point a 1,5 PP02 para reduzir o runtime, a partir dos 87 mtrs os primeiros deep stops, fomos subindo muito lentamente, sentíamo-nos bem, no final de muitos patamares de descompressão o ultimo a 6 mtrs com mais de 1h40m, uma longa deco que nos causa algum desconforto nas costas, mas felizmente a corrente perto da superfície tinha diminuído.
3h e 30m depois estávamos a subir para o barco. Com intervalos de aproximadamente 15min, todas as equipas foram terminando suas descompressões.
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Por volta das 15h, chegámos ao porto onde iniciamos de imediato todas as tarefas de preparação do mergulho para o dia seguinte. Uma enorme chuvada tomou conta do tempo o que nos dificultou as operações. O almoço servido ás 16h foi confeccionado pelo nosso amigo Polaco Adam, um prato típico da Polónia, uma massa com carne em que a bebida era um caldo de beterraba, algo de diferente para os nossos paladares.
Para compensar o almoço, o jantar este sim foi uma verdadeira delicia, mais uma Pasta de lagosta, esta trazida do deck do Viminale por Mauro.
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Durante toda a noite choveu, as previsões não são as melhores para os próximos dias, o vento mistral está a surgir e a fazer os seus primeiros estragos, pois a expedição poderá estar ameaçada, amanhã saberemos.
Resta-nos aguardar pacientemente.
Nota: Durante a tarde presenciamos um episódio diferente do normal, o Armando deixou cair á água uma peça de um analisador, como consequência teve de mergulhar no porto em fato banho tipo open water, foi engraçado e animou os espíritos mais desanimados.
Dia 26 – O mau tempo
Acordamos ás 7h30m, mas rapidamente nos apercebemos que continuava a chover, lá fora tudo estava ensopado, mas parecia não existir vento, após o pequeno-almoço e últimos preparativos largámos o porto.
Assim que saímos a barra, enorme vagas tomaram conta do nosso barco, tudo rolava no chão, era impossível equipar, na cozinha e ainda apanhados desprevenidos, tudo saltava do lugar, o frigorifico abria as portas, garrafas rolavam pelo chão, uma loucura. Rapidamente nos apercebemos que não haveria mergulho.
Foi uma decisão acertada, pois se forçássemos poderia ser muito perigoso, era o nosso 4º mergulho profundo, e naquelas condições seria muito difícil subir a bordo, teríamos que despender um enorme esforço físico, o que poderia resultar facilmente em DCS. Desta forma foi melhor regressar e os planos passariam a ser os seguintes: Visitar o museu de arqueologia de Régio di Calabria, assim teríamos mais tempo para libertar-mos os gases retidos no nosso organismo (off gasing).
A visita ao museu foi muito interessante, pois representa uma viagem ao longo da história desde o período neolítico até á Idade do Bronze, onde 2 estátuas de guerreiros todas em bronze foram encontradas a 50 mtrs de profundidade bem perto de Régio. Toda a tarde foi passada a passear e a comer os famosos gelados italianos, sem dúvida muito gulosos.
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O tempo foi melhorando, o sol fez-se novamente aparecer, e o vento diminuiu bastante até á noite. Aguardávamos com alguma ansiedade para que pudéssemos retomar a expedição.
O jantar desta vez foi num restaurante típico de Palmi, pizzas servida a metro foi o menu. Enfim un serão bem passado entre todos.
Dia 27 – Mais mau tempo.
Deitámo-nos muito positivos acerca das previsões do tempo, mas durante a madrugada todos acordamos com uma enorme chuvada que se manteve até ás 7h30m, o que implicava mau tempo, logo a possibilidade de abortar outro mergulho era alta.
Largámos o porto na tentativa de verificar in loco o estado do mar, após alguns momentos de navegação as vagas já se faziam sentir e de que maneira.
Apesar do tempo estar a limpar e o vento a acalmar, o mar continuava agitado e com forte ondulação, infelizmente tivemos de cancelar mais um mergulho.
Para alguns membros da equipa foi o ultimo dia, nós ainda vamos continuar até amanhã na esperança de fazermos a nossa última imersão no fantástico Viminale.
Hoje o dia será calmo para reflexão, ler algum livro, visualizar uns filmes e algumas fotos.
Dia 28 – Mergulho traiçoeiro
Hoje as expectativas e vontade de mergulhar eram enormes, todos nos levantámos bem cedo e por volta das 7h45m, estávamos a caminho.
O mar continuava um pouco agitado, o vento teimava em soprar mas desta vez com um pouco menos de intensidade, as condições não eram as melhores, mas dava para mergulhar no limite e em segurança.
Uma vez sobre o local do destroço constatou-se que as bóias de sinalização tinham sido cortadas ou arrancadas com o mau tempo, agora a situação piorava, além do estado do mar, teríamos que improvisar nova shot, o que não era um bom sinal.
Após algumas 2 horas, outro cabo foi lançado sobre o Viminale, mas talvez noutro local e talvez não tão bem preso.
A maioria da equipa decidiu não mergulhar, mas eu e Armando resolvemos arriscar e mergulhámos.
A descida durou 7min, a corrente era contra até aos 65mtrs e forte como nunca esteve, estávamos para abortar, quando uma outra corrente de fundo nos empurra em direcção ao naufrágio como uma ajuda invisível.
A visibilidade era a melhor de todas a shot estava a meio navio, na cobertura da “Sala de fumo”, só tivemos de entrar em direcção ao “Bar” todo envidraçado, onde se encontra a caixa da enorme escadaria principal, esta já se encontra colapsada e desfeita, no piso inferior a lama/lodo era visível mas mesmo assim um local interessante, bons momentos de convívio foram passados nestas áreas do navio. Um pouco mais á frente e para a direita do Bar encontra-se a “Sala da Musica” onde em tempos um piano fazia as delicias dos passageiros, hoje apenas se reconhecem as janelas e um pequeno suporte do aquecimento.
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Saímos pelo lado oposto e dirigimo-nos para a Ponte de Comando, no topo desta está tombada a Bussula já muito degradada, descemos para a casa do leme mas este piso está colapsado , logo foi impossível entrar bem como visitar os quartos do comandante e seus oficiais.
Com o tempo a passar rapidamente fomos uma vez mais para a zona da cozinha e tripulação na proa do navio. Descendo por um dos porões, pilhas de pratos jazem no fundo lodoso, um pouco mais ao lado noutra divisão mesas e bancos ainda se encontram fixos ao chão, bem como algumas escotilhas ainda em bom estado.
22min passaram, era tempo de regressar rapidamente, no deck do Viminale ainda houve tempo para mais umas fotos de ambiente junto de um dos enormes e magníficos respiradouros, seguidamente deslizamos ao sabor da corrente junto a bombordo admirando a envergadura do navio que é soberba, os corredores e janelões vão passando ao nosso lado, ainda sentimos um pouco os corrimões de madeira onde em tempos muitos passageiros avistavam magnificas vistas.

25min estávamos na shot, iniciando de imediato a subida, foi sem duvida um dos melhores mergulhos, mas o pior veio a seguir…
A partir dos 65 mtrs voltámos a apanhar a outra corrente (ainda mais forte), que desta vez estava a empurrar-nos para a superfície, era quase impossível segurarmo-nos ao cabo, o esforço físico nos ombros, braços e mãos era enorme e doloroso, mesmo com a “Jon line” esta não nos fixava. Parecíamos uma bandeira ao vento, ouvíamos perfeitamente o som do cabo a vibrar com a força da corrente, é impressionante a força do mar. Nós ainda tínhamos mais de 3h de descompressão pela frente, uma situação muito complicada de resolver.
O Armando felizmente com o auxilio de uns Bungies (elástico câmara de ar) consegui fazer com estes servissem de travão á nossa permanente subida, foi uma situação extenuante e muito difícil, onde se algo corre-se mal seria um problema gravíssimo, pois ali mesmo ao lado (200mtrs) existe um enorme canal de navegação de cargueiros onde passam constantemente, e facilmente 2 mergulhadores seriam triturados pelas suas enormes hélices.
Tivemos sorte, porque tudo correu bem sem incidentes, mas uma lição aprendemos, nuca se deve forçar um mergulho com correntes daquele calibre.
Nós não tivemos consciência da força do mar, pois em Portugal não existem correntes daquelas, logo também não tínhamos a experiência para avaliar os reais perigos, foi sem duvida uma experiência para a vida, mas a partir de agora também estamos mais fortes e melhores mergulhadores.

Agora resta-nos arrumar novamente todo o equipamento e regressar a casa.
Foi uma expedição fantástica com uma equipa de amigos fabulosa, um ambiente a bordo difícil de igualar.
Futuras aventuras estão agendadas, um forte abraço amigo a todos estes excelentes mergulhadores.
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