Expedições
Expedição Norte 2007
Kassamba (3ª Parte)
Vapor do Selir (1ª Parte)
27 a 30 de Agosto.
Após um ano verdadeiramente adverso, com condições de mar que nos têm dificultado a continuação dos nossos projectos, finalmente em Agosto o vento acalmou um pouco mais, facilitando desta forma a continuação da nossa actividade.
Para não perdermos esta oportunidade, resolvemos rumar ao Norte, a fim de realizarmos mais uns mergulhos no Kassamba, desta vez para o filmar e também para visitarmos um novo (para nós) naufrágio, conhecido pelo Vapor do selir, que se encontra a 70 mtrs de profundidade.
Desta vez não iríamos sozinhos, tivemos a colaboração e companhia do já nosso amigo Jorge Marques, responsável pela Academia de Mergulho do Porto, bem como dos bons velhos amigos Rui Caravelas e toda a equipa da Mergulhomania.
Mais uma vez a saída de Lisboa para o Porto fez-se de madrugada, 4h30 min, a carrinha estava completamente lotada com todos os equipamentos, gases, sofnolime,etc.
Á chegada, fomos bem recebidos como sempre e após nos ter sido apresentado Jorge Marques, o nosso novo companheiro de fundo, demos inicio aos preparativos da expedição.
O que estava inicialmente previsto seriam, 2 mergulhos no kassamba e 2 no vapor do selir.
As equipas estavam constituídas da seguinte forma:
Mergulhadores de fundo – José Marques –CCR Ourobouros
Gases – TX 16/53 e EAN 40
Armando Ribeiro – CCR Inspiration vision
Gases – TX 15/50 e EAN 60
Jorge Marques – Circuito Aberto
Gases – AR e 100%02
Mergulhadores de apoio – Rui Caravelas – CCR Inspiration classic
Artur – Circuito aberto
Casimiro Sampaio – Circuito aberto
Skeeper : Tony e Rui
Dia 27
A partida do cais fez-se pelas 11h da manhã, a viagem de barco durou cerca de 40 a 45 min até chegarmos ao Kassamba, mais o tempo de prepararmos a shot line e deco station, e só por volta das 14h estávamos a saltar para a água.
O tempo encontrava-se solarengo com mar completamente “chão”. Eu, Armando e Jorge saltávamos para a shot, os mergulhadores da apoio entravam 25 min depois para nos acompanharem ao longo da subida e deco se necessário.
Iniciamos a descida rapidamente, após alguns metros constatamos que a visibilidade está miserável, aos 20 mtrs já era escuridão, mas a partir dos 40 estávamos totalmente absorvidos pela total falta de luminosidade, o que víamos eram apenas os focos das lanternas que não iluminavam além de 1 mtr, pois a suspensão ao longo da coluna de água até ao fundo era constante, o que forma uma espécie de nevoeiro negro.
Ao chegarmos ao fundo verificámos que a shot estava na areia e não no destroço, provavelmente soltou-se do enorme Kassamba, que estaria bem perto. Coloquei carreto no cabo e partimos em sua busca, a visibilidade era péssima, a suspensão era tremenda, e no final de 15 min de procura finalmente vislumbramos algo que nos pareceu ser um vulto do kassamba, mas já não valia a pena perder mais tempo, pois o caminho de regresso ao cabo ainda era longo, e o plano de mergulho era para cumprir á risca.
Conclusão, levantarmo-nos ás 4h 30 da manhã, conduzir 300 km e falhar um naufrágio por pouco aos 75 mtrs e sofrer mais de 2h de descompressão, é algo difícil de engolir, mas são “ossos do oficio”.
Após o mergulho, as tarefas do costume como arrumar e tratar de todo o equipamento para o dia seguinte fazem parte da ordem do dia. No final estávamos todos com o corpo moído e também apreensivos, pois com aquela visibilidade a manter-se, mais valia regressar a casa, no entanto teríamos de acreditar que as condições poderiam melhorar no dia seguinte.
Dia 28
Após o pequeno-almoço na pensão, chegamos ao centro de mergulho ás 8h. Preparar tudo e por volta das 11h 30, partimos para mais um mergulho no kassamba.
As viagens de barco passaram a ser feitas numa embarcação de 10,5 mtrs o “GRE V” pertença do grande Skeeper Tony, e como embarcação de apoio um semi rígido que levava todo o material.
O tempo estava chuvoso, fresco e com algum vento que faziam subir as vagas cerca de 1,5 mtrs. Depois de uma hora de viagem e uma outra para colocar a shot, lá iniciámos os preparativos, as ajudas do pessoal da mergulhomania e toda a tripulação foram brilhantes, sempre bem dispostos e voluntariosos, um abraço a todos.
Após a difícil tarefa de equipar toda a “tralha”, lá iniciámos a descida, desta vez a visibilidade estava um pouco melhor, mas mesmo assim turva, no fundo escuridão total, mas conseguia-se ver 3 mtrs. A shot desta vez estava mesmo dentro de um dos janelões de estibordo, mesmo em cheio no castelo de popa.
A corrente que já se fazia sentir, fez-nos perder algum tempo na descida, mas 6 minutos depois, nadávamos ao longo de um dos seus bordos. Eu coloquei carreto, Jorge foi logo a seguir e Armando deslocava-se ao nosso lado, tentando fazer algumas imagens de vídeo numas condições muito precárias.
Nadamos para a ré, Jorge decidiu ir para a hélice, eu e Armando flutuámos sobre a parte detrás do castelo de popa, evitando os cabos e as redes que lá se encontram, demorou algum tempo para eu me situar precisamente no navio, pois tentava não perder a concentração de desenrolar carreto, evitar as redes e tentar visualizar onde nos encontramos e não perder de vista o Armando que continuava a filmar perto de mim.
No final de 35 min, foi tempo de regressar ao cabo e iniciar a subida, lenta como sempre e com inúmeros patamares de descompressão, o Jorge já tinha começado a subir, pois o circuito aberto não perdoa (consumo gases), nos últimos patamares tivemos a companhia do Rui Caravelas que veio connosco dos 50mtrs até á deco station, e do Artur que nos filmou e fotografou para mais uns pequenos vídeos de deco.
Sentimos que a visibilidade iria começar a melhorar e decidimos voltar no dia seguinte. No local ficou uma bóia de marcação, para não perdermos tempo. |
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Dia 29
Alvorada 7h, preparar os rebreathers e zarpar, o mar estava calmo, e o sol finalmente brilhava, se a visibilidade estivesse boa seria um mergulho fantástico, estávamos todos a torcer para isso.
Durante a viagem de cerca de 1h15, o tempo era passado a dormir, conversar, e para animar o pessoal lá tive de puxar pelo meu reportório de anedotas e por a malta toda a rir…
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Ao chegarmos e para comemorarmos o kassamba, resolvemos fazer uma brincadeira, colocar um prato de plástico com os nossos nomes e autocolantes junto da torre do kassamba.
Depois de equipados, o Jorge desceu primeiro e levou o dito prato, depois eu e Armando fomos em seguida, a água estava muito mais limpa, iria ser um bom mergulho. |
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Lá em baixo estava imponente o castelo de popa, demos-lhe a volta por detrás, nadamos depois sobre ele, e descemos para o deck onde se encontram enormes janelas por onde tentámos entrar mas sem sucesso, as w.s em baixo e a dispensa bem perto delas são uma zona do naufrágio bem interessante, infelizmente o tempo voa, e o regresso ao cabo não se fez esperar, uma forte corrente já passava por nós, fui-me deslocando puxando o meu corpo com as mãos para poupar alguma energia, o cabo já não estava longe. 35 min de fundo e mais de 2h de mergulho esperavam agora por nós.

Aquando da chegada ao cabo, tivemos uma boa surpresa, Rui Caravelas e Mário Casimiro, vieram ter connosco e ainda tiveram tempo para um pequeno vídeo “baptismo no kassamba”, pairaram por breves momentos sobre a torre de comando e subiram connosco, mais 2 mergulhadores a visitá-lo, parabéns aos dois. Foi um excelente mergulho.
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Dia 30 e ultimo
Neste ultimo dia fomos visitar pela primeira vez um novo naufrágio (para nós) chamado de “Selir” a 70 mtrs. Quem nos levou e acompanhou foi o Jorge Marques. Partimos de manhã, o dia estava bom mas o vento já soprava, as vagas eram de 2mtrs, logo a viagem de cerca de 1h30min foi algo agitada.
Sobre o local, foi difícil conseguir fixar a shot, o Jorge equipou-se primeiro e desceu para confirmar se estávamos no sítio, o combinado foi largar uma bóia para a superfície se tudo estivesse ok. 10 min depois lá estava a bóia sobre as vagas.
Preparamo-nos e saltamos para a shot, a visibilidade parecia estar boa, fomos descendo e logo a escuridão nos envolveu, a partir dos 45 mtrs até ao destroço tivemos de nadar ainda uns bons 70 a 80 mtrs, pois o cabo com a corrente estava muito longo, mais uma vez desperdiçámos uns bons 4 minutos de mergulho, mas quando finalmente chegámos, o barco este encontra-se intacto e perfeitamente assente no fundo. È muito mais pequeno que o Kassamba, mas mesmo assim é grande, nadamos junto de um dos bordos até chegarmos ao castelo de popa e ponte de comando, é uma estrutura de 2 pisos, em que o piso 0 tem as instalações sanitárias, casa de máquinas no porão e outras divisões da tripulação, no piso 1 que balança sobre o piso 0, tudo indica ser a ponte de comando, rodeada por um varandim, é uma estrutura a explorar brevemente.
Contornámos toda a estrutura e visitámos a hélice, que se encontra envolta em redes, com o tempo a passar rapidamente, tentámos ver o máximo que podíamos, de regresso ao cabo, passamos sobre 3 enormes porões que se encontram abertos, mas falta averiguar o que se encontra no seu interior, já junto ao cabo de subida, decidimos prolongar um pouco mais o mergulho e deslocamo-nos em direcção á proa, e instantes depois lá estava ela, mais umas fotos com pouca visibilidade e regressamos de imediato após 35 min de tempo de fundo, o que nos penalizou em 3h de mergulho total.
Um excelente naufrágio e o melhor mergulho de todos os três anteriores, após uma longa descompressão com a temperatura da água a 14 graus, subimos para o barco, e já era altura de voltarmos ao porto, foi um dia longo e cansativo. Na marina foi tempo de arrumarmos os equipamentos e voltar a encher a carrinha até a cima, e tirar umas fotos de grupo para recordação.
Foi uma expedição muito boa, com, mergulhadores e amigos 5 estrelas onde nada faltou, um abraço para todos eles e até breve para novas explorações como ficou combinado.
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