Expedições
Grã Bretanha > Batalha de Jutland
1ª Expedição a “Batalha de Jutland”
Viagem com o apoio da British Airways e Sportzone
Videos em breve...


UK - Grimsby, 20-30 Junho de 2008.
Esta expedição à batalha de Jutland, era já um sonho antigo, desde 2005 que temos tentado realiza-la.
Devido à forte componente e interesse histórico, pois foi a maior batalha naval da história entre Ingleses e Alemães na 1º Guerra Mundial; à sua longínqua localização (pleno Mar do Norte) e difíceis condições de mergulho (águas frias, fortes correntes e constantes variações do estado do mar), tornam esta expedição num enorme desafio para qualquer amante de mergulho em naufrágio, pois visitar um dos maiores e ainda muito pouco explorados cemitérios de guerra, prestar uma homenagem àqueles bravos marinheiros que ali perderam as vidas é algo que jamais esqueceremos, uma experiência única.


Infelizmente algumas destas viagens foram canceladas devido ao mau tempo, mas finalmente e após um ano de preparativos, esta iria até ao fim, o estado do mar apresentava-se estável, as previsões eram boas, as expectativas eram as melhores.
Nos últimos meses e semanas tiveram de se realizar alguns contactos para que tivéssemos alguns apoios logísticos, desta forma tivemos a colaboração da Sport Zone através do seu departamento de marketing que nos forneceram roupa de expedição bem como os sacos de viagem da marca Deeply, que deram muito boa conta do recado.
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Quanto às bagagens e excesso de peso no avião, contamos com a preciosa e fantástica colaboração da British Airways através do seu departamento de marketing (Helena Borges) e departamento Comercial, os quais nos autorizaram a transportar os cerca de 180 kg dos nossos equipamentos, sem esta preciosa ajuda seria muito difícil realizar esta viagem, pois os custos seriam muito mais elevados.
Com tudo organizado e preparado só nos restava embarcar para mais uma expedição In- Silence. |
20 de Junho
O dia da partida.
Eram 5h da manhã quando me levantei, ás 6h15m já me encontrava no aeroporto com o Armando também ele carregado com todo o equipamento de mergulho vídeo e foto. Após o check in e todos os procedimentos de segurança restava-nos embarcar para um longo dia de viagens.
A 1ª parte até Londres, depois para Manchester e finalmente o ultimo troço seria de carro até ao Porto de Grimsby na costa leste de Inglaterra, de onde embarcaríamos no nosso navio que nos levaria no dia seguinte para o local da batalha.
Os voos correram bem até Manchester onde tivemos de esperar mais 2horas por um dos nossos sacos que chegou noutro avião, por volta das 18h partimos finalmente na direcção do porto. Foram cerca de 2h de condução por auto estradas e estradas, onde a paisagem verdejante foi uma constante, já eram 20h quando por fim chegámos com a preciosa ajuda do GPS do Armando, á docas de Grimsby, um enorme porto de pesca em North quay.
O “Ocean dancer” estava á nossa espera, um fantástico navio de 36 mtrs, fomos recebidos de imediato pelo seu comandante e skeeper John Mayo Evans, uma pessoa muito simpática que fez as honras da casa, apresentou-nos a toda a equipa que estava presente e mostrou-nos todo o navio em pormenor, bem como algumas regras e normas de segurança a bordo.
Este navio foi em tempos um navio de pesca do mar do Norte, convertido em barco de mergulho de salvados (recuperação de partes de navios afundados). Nada falta, desde banco de gases, compressores, boosters, câmara de descompressão, alojamento para mais de 23 pessoas repartidas por diversas cabines, cozinha, sala de estar e refeições, casas de banho com chuveiros, etc. Simplesmente o melhor barco de mergulho de expedição em que alguma vez estive, muito confortável e espaçoso.
Após esta breve visita, foi altura de arrumar os nossos equipamentos nos respectivos lugares, ainda tivemos de esperar por alguns elementos da equipa e pelo meu rebreather que vinha com o meu amigo Richie Steveson, que o foi buscar á fabrica após uma revisão geral.
A equipa era constituída por 3 Dinamarqueses, 2 Portugueses, e 8 Ingleses; a Tripulação era constituída pelo Comandante, 2 marinheiros Polacos, 1 mergulhador de apoio, e uma Cozinheira.
Mergulhadores:
UK – Richie Steveson
Innes Maccartney
Simon Key
Jamie Bassett
Rob M’guire
Lee M’guire
Nich Clark
Max smith
PT – José Marques
Armando Ribeiro
DK – Esben Johannsen
Mark Denninger
Dia 21 Junho
A Viagem
O plano de toda a viagem seria o seguinte: largar o porto às 9h e navegar cerca de 40 horas até ao local da batalha, ou seja só deveremos chegar no Domingo por volta das 16h.
Desta feita, às 9h em ponto largá-mos amarras, a viajem é longa, muito longa mesmo, o mar encontra-se algo agitado com algum vento, o que fazia dançar o navio ao saber das vagas, alias o seu nome “Ocean dancer” quer dizer isso mesmo, dançarino do oceano.


Eu tive que me habituar ao balanço o que não foi nada fácil, além dos comprimidos tudo o que comia vomitava borda fora, foi um dia e meio algo complicado, sentia-me sem forças, mas a melhorar lentamente.
O tempo era passado praticamente a dormir ou deitado, para além das refeições em que nos juntávamos para conversar um pouco. Alguns vídeos de expedições e fotos de mergulho foram sendo apresentados e mostrados por todos, uma boa maneira de partilhar conhecimentos e experiências e aproximar mais o grupo. |


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Dia 22 Junho
O tempo mudou.
A noite de sábado para domingo foi algo agitada com ventos de força 8, o que nos tirou um pouco o sono, já pela manhã o mar continuava forte, o que levou a alterações dos planos, como não existiam condições para mergulhar e as previsões não eram as melhores, tivemos de rumar em direcção á Dinamarca para o porto de Esbjerg, onde nos poderíamos abrigar dos ventos fortes, bem como preparar os equipamentos com mais tranquilidade para que assim que o tempo melhora-se podermos partir para os mergulhos sem perder mais tempo, pois este estava a esgotar-se rapidamente.
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Já passava das 23h quando surgiram no horizonte as primeiras boias do canal de navegação do porto Dinamarquês onde iríamos permanecer toda a segunda feira, esperando que o tempo melhore pois eram essas algumas previsões que vinham chegando ao navio.
Se assim fosse, largaríamos o porto na segunda-feira á noite, para que na terça-feira bem cedo estivéssemos a saltar para a água. Para já eu e armando tínhamos feito a nossa primeira travessia do Mar do Norte.

Dia 23 Junho
A espera continua
O dia amanheceu muito ventoso, o que indicava más noticias, um mau pressentimento começou a
instalar-se em todos nós. O dia foi passado a ver vídeos e fomos também passear á cidade de Esbjerg, onde as pessoas têm uma vida muito calma e com qualidade, com um comércio de rua muito pujante, uma terra com uma energia muito positiva.
De volta ao barco as noticias não foram as melhores, já não partiríamos esta noite, mas talvez na tarde do dia seguinte e os mergulhos apenas na quarta-feira de manhã, tudo isto se o tempo ajudar.
Estava a ser difícil encarar a dura realidade, o tempo nestas bandas é muito instável e conseguir encontrar uma janela razoável de bom tempo é preciso sorte ou mesmo muita sorte.
Dia 24
Death line
Acordámos com a esperança de encontrar bom tempo, mas o vento continuava forte, as previsões não eram favoráveis, o tempo está a esgotar-se e as oportunidades de mergulho são muito reduzidas.
De manhã ainda havia a possibilidade de largarmos após o almoço, mas o que se veio a verificar foi uma dura realidade, apesar do tempo estar a melhorar, apenas poderá durar dois dias, o mau tempo vai chegar vindo do sul de Inglaterra através de uma enorme baixa pressão e irá apanhar-nos com certeza no local dos naufrágios.
A segurança da expedição poderá estar posta em causa se arriscarmos em ir mergulhar, logo a decisão foi abortar os mergulhos e regressarmos rapidamente com boas condições de mar a Inglaterra.
A decisão foi a mais acertada, pois sermos apanhados por uma forte tempestade no Mar do Norte bem longe de qualquer porto (130 milhas) não é brincadeira, além de muito desconfortável seria muitíssimo perigoso.
Se o tempo permitir poderemos mergulhar em Inglaterra nos dias que ainda faltam, mas a expedição á batalha de Jutland já passou á história, foi sem duvida uma enorme desilusão, frustração, tristeza, difícil de explicar por palavras, tempo e dinheiro desperdiçado, é sem duvida muito difícil de aceitar, mas imprevistos e imponderáveis fazem parte de qualquer expedição e só acontecem àqueles que lá estão.
Existirão mais oportunidades para realizar-mos este sonho, mais expedições estão agendadas e programadas para os próximos 2 anos, desistir não será o nosso lema.
Agradecemos uma vez mais aos nossos sponsors e entidades que nos apoiaram, e que acreditam connosco nos projectos que queremos e vamos realizar.
Até breve
José Marques
www.in-silence.com
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