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Expedições

Sardenha > Bengasi II

Expedição “BENGASI – O Naufrágio dos Cristais”
Wreck Team 2008

Sardenha , Villasimius – 26 Setembro a 4 Outubro 2008

Historia



O Bengasi foi lançado ao mar em 12 de Março de 1912, pertencendo à sociedade nacional de serviços marítimos.
Como navio de carga e passageiros, tinha rotas da costa oeste de Itália, fazendo escala em cidades como Genova, Nápoles, Reggio di Calabria, Siracusa, entre outras.
Em 1916 fez comissões ao serviço do ministério da guerra como navio postal.




Mais tarde em plena 2º grande guerra, com a marinha inglesa a dominar o mediterrâneo, o Bengasi era um alvo fácil, suspeitando de transporte de armamento e medicamentos, como o famoso ischerogeno um tónico para diversas doenças, na manhã de 6 de Março de 1941, a sul do cabo carbonara, o submarino Truant ditou o seu fim, O Bengasi descansa intacto a 96 mtrs de profundidade.



Dia 26 – A Viagem

Esta viagem tinha como missão voltar a rever um dos mais belos e misteriosos naufrágios do Mediterrâneo, que descansa a 95mtrs de profundidade. Desta vez com mais experiência e mais bem equipados para vídeo e foto, tínhamos como objectivo explora-lo em pormenor e detalhe, entrando nos seus corredores, divisões e amplos porões repletos de objectos de vidro e cristal, que nos envolvem num ambiente magnifico e único.

Esta expedição tinha como destino a maravilhosa ilha da sardenha, mais concretamente Villasimius, uma simpática vila situada no extremo sul oriental, junto do Cabo Carbonara.
O nosso quartel-general seria o centro de mergulho Pro-Dive, dos nossos velhos amigos Stefano e Susana, que nos recebem sempre de braços abertos. Como o centro está implantado num pequeno hotel perto da praia, desta vez as famílias vieram connosco.

A viagem uma vez mais correu bem, desde Lisboa a Cagliari, onde chegámos já de noite na companhia da British Airways, que nos apoiou desde a primeira hora. Todo o equipamento arrumado no automóvel e mais uma hora por entre curvas e contra curvas até ao hotel, restava-nos uma boa noite de descanso.


Dia 27 – Os Preparativos

Na manhã seguinte e após o pequeno-almoço, foi altura de voltar a abraçar o nosso amigo Stefano que se encontrava na recepção do hotel á nossa espera, mais tarde chegariam Tom Jaspers e Ray da equipa trimix.net (Holanda), também eles amigos de outras expedições, e aliás foi a convite do Tom, que este nos convenceu a voltar ao Bengasi.
Parte da manhã e tarde foram passados como sempre a preparar os equipamentos de mergulho e material de fotografia, vídeo, luzes etc. Tudo deve ser testado, calibrado, de forma a não surgirem imprevistos e os tais “azares”. Stefano tratou dos gases e garrafas de bailout, boosters a funcionar e em pouco tempo o trabalho estava feito. O Tom sempre de volta do seu MegaMeg, um duplo rebreather, ou seja dois CCR Megalodons acoplados, a redundância extrema, o top dos equipamentos.
O tempo livre ainda deu para dar um mergulho na praia e fazer um reconhecimento em Villasimius.
O jantar era em grupo, sempre por volta das 20h,30m, sempre se convivia e planeavam-se os mergulhos.



Dia 28 – O Reencontro

O pequeno-almoço era servido às 7h.30m, e por volta das 8h, estávamos a colocar os equipamentos na carrinha, que nos levaria ao porto de embarque.

Estávamos felizes por voltar a reviver momentos únicos passados em 2005 (ver expedição Sardenha), era um “matar saudades” dos amigos, da atmosfera que a sardenha proporciona, e acima de tudo do Bengasi.



Algumas perguntas e dúvidas surgem no nosso imaginário, como estaria o naufrágio, belo como sempre ou mais degradado, colapsado etc, enfim alguma ansiedade positiva enchia-nos o espírito.

Chegados ao porto, a tarefa seguinte era encher o semi-rigido com todo o material, em seguida vestir os fatos e embarcar. O trajecto não é longo, cerca de 15 minutos rumo a sul do Cabo e a marca surge submersa nas águas cor esmeralda. A shot está na vertical e fica a cerca de 3 metros da superfície, nesta altura Stefano mergulha em apneia e prende o barco á referida shot.

Após esta operação resta-nos equipar com calma, dois a dois vamos equipando, e alguns minutos depois (20), deixamo-nos cair para um mar transparente e com uma luminosidade fantástica.


O mar estava calmo, apesar de algum vento que se fazia sentir, a temperatura á superfície 22, a 24 graus, nadamos para a shot (cabo de descida), este avista-se até se perder nas profundezas de um azul profundo, é para lá que vamos.
Tiramos o ar dos pulmões com uma longa expiração, de imediato iniciamos a descida, a partir deste momento só o silencio se fazia ouvir. O cabo corre-nos pelos dedos durante longos 3, 4 minutos, ao ritmo de cada respiração vamos compensado os ouvidos e injectando ar no fato seco, as luzes estão ligadas, abaixo dos 40 metros a temperatura desce dos 20 graus para 14 graus, o frio arrepia por instantes, entramos no mergulho profundo, monitorizamos constantemente os computadores, tudo está ok, 50mtrs, 60mtrs, 70mtrs, 80mtrs, o Bengasi surge-nos como uma sombra vindo do nada, parece um fantasma, voltar a visitá-lo parecia impossível, mas naquele instante estava novamente ali, magnifico e belo.
Suavemente pairamos sobre o deck da popa (-90), ajustamos os set points e deslizamos para um mergulho de reconhecimento, para verificar o estado em que se encontra e para nos relembrarmos onde se situam alguns locais com mais interesse.










O canhão de popa encontra-se intacto, sempre repleto de vida marinha, milhares de pequenos peixes vermelhos o rodeiam, após nadarmos sobre a cobertura da popa, dirigimo-nos para os porões onde se encontram os cristais, é um local dos mais belos que conhecemos se não o mais fantástico. A entrada encontra-se coberta por redes e pequenos fios de pesca que se podem tornar armadilhas com a suspensão que se levanta após a nossa passagem.

Quando entramos nos porões o ambiente altera-se completamente, a escuridão envolve-nos, o fundo está cheio de lodo e repleto de objectos de vidro e cristais, como copos, cálices, jarras, castiçais, vasos, frascos etc, etc. São milhares e milhares que preenchem todo o fundo, o reflexo e o ambiente que fazem com as nossas luzes é misterioso e maravilhoso, parece um tesouro perdido, nós temos que estar praticamente colados ao tecto baixo, de forma a não tocar nos vidros e evitar levantar suspensão, o perigo de nos cortarmos é bem real, mas vale bem a pena.



Depois dos porões nadámos em direcção à proa, que fica bem mais à frente, quase 60 metros, para lá chegarmos tivemos de passar pela ponte de comando, esta já em colapso, e toda a zona de passageiros, onde se encontram inúmeras divisões e corredores para explorar noutros mergulhos, no topo do navio encontra-se caída a chaminé e mais na frente avista-mos os paus de carga dos porões da proa e seus enorme guinchos, no fundo do segundo níveis de porões encontram-se outro tipo de mercadorias, baldes e alguidares em metal são às centenas todos empilhados.















O tempo voa rapidamente, é impossível ver o Bengasi num simples mergulho, a semana irá ser muito proveitosa, mas agora é tempo de voltar ao cabo. Ao fim de trinta minutos estávamos a subir para os primeiros deep stops aos 75mtrs, a subida irá ser longa cerca de 3 horas, no final o mergulho teve a duração de 3h e 30min, em que o ultimo patamar nos 6 metros durou cerca de 1 hora.

Já a bordo e a caminho do porto, o balanço foi muito positivo, não houve problemas nos equipamentos, nem nos mergulhadores, as previsões do estado do mar são boas para os próximos dias, tudo boas noticias.

Após a chegada por volta das 14h30min, as tarefas serão sempre as mesmas, tratar dos equipamentos em primeiro lugar, almoçar em seguida e passar algum tempo da tarde ou a descansar, praia, piscina, etc enfim Férias.

Os finais de tarde e antes do jantar, visionavamos as imagens dos mergulhos e planeavamos o mergulho seguinte, a zona do barco a explorarem, onde iríamos entrar, etc.

As refeições por norma eram excelentes, mas sempre à base de Pasta e Pizza, Pizza e Pasta, por vezes algum marisco extra era sempre bem-vindo, bem como uma fantástica churrascada que nos foi servida em casa do Stefano e Susana, ajudaram a quebrar alguma rotina.

 

 

Dia 29 – O segundo mergulho









O nosso plano seria filmar a hélice e leme, os cristais mais em pormenor e entrar nos corredores e em algumas divisões da estrutura principal, tudo isto na primeira metade do navio.
Assim foi, depois de todo o ritual de equipar saltámos para mais um mergulho fantástico. Desta vez a descida foi ainda mais rápida praticamente 2 minutos, mas eu tive um problema num dos ouvidos, pois aos 75 mtrs, a velocidade de descida era já elevada e não compensei como devia, uma forte dor aguda obrigou-me a travar a fundo e subir mais 10mtrs, para então sim com alguma dificuldade descer os últimos 30 mtrs.



A primeira parte do mergulho seria filmar o canhão de popa, descendo em seguida para a enorme hélice, que se encontra envolta numa perpétua sombra sob o casco, após uma darmos uma volta completa fui subindo lentamente ao longo de um dos bordos envolto em gorgónias e muita vida, ao chegar ao deck, foi altura de descer para os porões, o Armando foi em primeiro lugar, para filmar sem suspensão, e após a sua entrada foi a minha vez de descer pelo lado contrário, percorri todo o seu interior em direcção ao meu companheiro de mergulho que me esperava com as luzes e câmara, o ambiente criado era fantasmagórico, luzes, sombras e ao mesmo tempo o brilho dos cristais criava uma atmosfera tipo templo perdido, fabuloso.



Em seguida o objectivo era de explorar o interior da estrutura principal, saímos dos porões com muito cuidado, pois redes de pesca e fios invisíveis esperavam por nós, momentos depois o Armando deslizava por um dos apertados e longos corredores, eu segui-o á distância, pois a fraca visibilidade não aconselhava dois mergulhadores no mesmo espaço, fiquei a iluminar a sua saída, sempre ajuda um pouco, as divisões mostravam um interior despido em ruínas, apenas o esqueleto de camas e beliches bem como louças de casas de banho, revelavam a existência de camarotes ou cabines, onde outrora dormiram seus passageiros e tripulantes. No lado contrário existe um outro corredor que através de uma porta dá acesso á casa das máquinas no piso inferior, este local ficaria para outro mergulho.

Estava na altura de regressar, 28 minutos tinham passado, mais uma vez uma longa subida nos esperava, desta vez combinámos não ultrapassar as 3horas de mergulho, para tal alteramos os “gradient factors” dos computadores para termos uma descompressão mais acelerada roubando assim 20 a 30 minutos de tempo total.
Mais uma vez um mergulho inesquecível, a visibilidade chega por vezes aos 20 metros, o que aquela profundidade é excelente. A subida acima dos 40 metros torna-se mais confortável, a temperatura sobe para os 20 graus, e desta forma o corpo não sofre tanto nas últimas 2 horas de descompressão.
No último patamar, Stefano vem ter connosco e recolhe algum do nosso equipamento, como luzes, câmaras, carretos, bóias e a garrafa de bailout com a mistura Trimix 8/60, desta forma ficamos um pouco menos pesados e as nossas costas agradecem.

Com a chegada ao porto todas as tarefas se repetem, primeiro o material, depois tratamos de nós.
Por vezes almoçamos já a meio da tarde, mas ainda temos algum tempo para umas compras na vila, ou uma ida á praia para descansar.
À noite fomos a um restaurante a convite de Stefano e mulher, provar uns pratos típicos da região, como espadarte tártaro, e massa de marisco que estavam uma delícia divinal, claro está sempre acompanhado de um bom vinho ou cerveja.


 

 

Dia 30 – O terceiro mergulho

Na manhã seguinte o mar estava calmíssimo, o vento tinha caído, o sol brilhava, estavam reunidas as condições perfeitas.
O nosso plano seria mergulhar na zona da proa, visitar seus porões e entrar num corredor com acesso a uma enorme garrafeira ou dispensa.



Assim que iniciamos a descida apercebemo-nos que a visibilidade estava maravilhosa com mais de 30 metros, ao chegarmos aos 70 mtrs o Bengasi mostra-se no fundo, instantes depois e para ganhar tempo dirigimo-nos para a proa, fazendo uma diagonal em direcção a esta, “sobrevoando” todo o destroço e ao mesmo tempo absorver toda a sua beleza. Aos 93 metros iniciamos a descida aos porões da proa, no seu interior o mesmo ambiente misterioso, mas desta vez o que encontramos são pratos, pilhas de pratos enterrados no lodo, no segundo piso dos porões bem nas suas entranhas um enorme armazém de vasilhas, alguidares e baldes de metal surgem diante dos nossos olhos, todos no local original onde foram guardados, é um regresso ao passado, um local intocável totalmente virgem, são estes momentos que buscamos, sensações únicas em que nos esquecemos da realidade donde estamos e partimos em viagens do nosso imaginário, tentando sonhar como foi, apenas o piscar dos leds dos nossos rebreathers nos acordam para a realidade. O mergulho continua, rumamos em direcção a uma abertura que nos leva por um corredor bem apertado, o Armando na frente captando belas imagens, eu seguia atrás memorizando o trajecto, no fim do percurso e no interior da proa do Bengasi, á nossa direita encontra-se uma divisão repleta de garrafas todas empilhadas, algumas caídas no lodo, talvez devido á explosão do torpedo que causou o seu afundamento, ou do embate no fundo, mas mais uma vez a escuridão é total, as luzes iluminam toda a galeria, são prateleiras repletas, talvez a garrafeira ou dispensa.





Depois de alguns minutos no seu interior, teríamos de voltar á shot que fica no lado oposto de onde nos encontramos, iria ser um longo caminho.
Até sairmos dos porões a visibilidade era muito pouca, a suspensão era espessa o que formava um nevoeiro de lama onde as luzes pouco ou nada fazem, tínhamos de sair daquela nuvem, o corredor servia de orientação, no final deste virava-se á direita e já se vislumbrava o azul do mar, a saída estava perto.
Cerca de 25 minutos tinham passado, restavam-nos 5 para chegar ao cabo de subida, pelo caminho conseguia-se vislumbrar quase todo o navio, sem dúvida o melhor mergulho que fizemos.

A subida é sempre penosa, agora começa a parte mais perigosa do mergulho, lentamente muito lentamente vamos subindo, quase 5 metros por minuto, cumprindo todos os patamares, desligamos e arrumamos as luzes e câmara, descontraímos um pouco mais e deixamo-nos ir subindo, nós e os rebreathers somos como um corpo só, sentimos o 02 a ser injectado á medida que o vamos consumindo, é interessante sentir como a máquina reage aos nossos comportamentos, ritmos e ciclos respiratórios.
No final e 3 horas passadas estamos a bordo todos muito satisfeitos, mais uma missão cumprida com êxito.



Dia 1 – O quarto mergulho

Mais um dia lindo de sol, mas vento voltou a soprar, é o famoso Mistral, no entanto as condições do estado do mar eram razoáveis, mas a visibilidade essa piorou bastante.
Para este mergulho o Armando queria repetir algumas imagens, e o plano seria mergulhar na zona central do navio, bem como no porão dos cristais.
Ao cairmos na água alguma corrente dificultou-nos a chegada ao cabo, mas após alguns momentos para retomar o ritmo respiratório iniciámos a descida. Mais uma vez a pique, e 2 minutos depois o Bengasi esperava por nós.
A primeira parte do mergulho foi passada nos cristais, magníficos como sempre, quando lhes tocamos sentimos como são frágeis, é um local pesado mas muito delicado ao mesmo tempo, em seguida percorremos alguns varandins da estrutura principal, tentando imaginar quem os teria pisado, e gozado das belas vistas, ao longo deste inúmeras vigias estavam abertas mostrando o interior de algumas cabines.

No piso do deck existe um pequeno corredor que dá acesso a uma apertadíssima entrada que por sua vez nos leva ao interior da casa das máquinas, mais um local belo de fotografar e filmar, os enormes motores, válvulas, tubagens, caldeiras, enfim um labirinto algo perigoso de explorar, a saída è muito pequena, e inúmeros cabos soltos podem prender um mergulhador no seu interior, mas com atenção redobrada vale a pena correr o risco, o Armando uma vez mais fez um óptimo trabalho.

Sem darmos conta o tempo chegou ao fim, ainda nos cruzamos com os nossos amigos Tom e Ray, também eles no interior de outras divisões, onde as suas luzes davam vida a locais mortos á muito.
O Bengasi está quase todo explorado, ainda existem locais de muito difícil acesso, em que é necessário mais tempo para os explorar, mas uma coisa é certa, o Bengasi está muito velho e a deteriorar-se rapidamente, a zona do leme e ponte de comando estão já colapsadas, a super estrutura está a dobrar-se para o seu interior como que a fechar-se para sempre, e os lindíssimos porões dos magníficos cristais estão praticamente sustentados por 4 pilares muito gastos e podres, que a qualquer momento poderão desabar e levar consigo aquele magnifico tesouro. Sentimo-nos uns privilegiados em ter mergulhado já por sete vezes neste mágico e único naufrágio.

 



Dia 2 – O Adeus

A última noite foi algo agitada, talvez pressentindo algo, acordei de madrugada com fortíssimas dores no ouvido direito, mal conseguia fechar a boca. Associei ao meu segundo mergulho em que senti dores na descida, e aos restantes em que mergulhei com o ouvido algo dorido.
Resultado, foi impossível mergulhar na manhã seguinte, para mim o Bengasi terminou.
Restou-me apenas ir no barco e ajudar os meus companheiros a equiparem-se, situação algo estranha mas são ossos do ofício.
Durante a tarde tive de ir ao médico, que me diagnosticou uma pequeníssima perfuração do tímpano, consequência, mais de um mês sem mergulhar e recomeçar com muito cuidado, pois provavelmente tive muita sorte nos mergulhos que fiz e o tímpano não se ter rasgado com consequências gravíssimas.

O ultimo dia foi passado em passeios turísticos, arrumar todo o equipamento, e a ultima noite num belo jantar de grupo revivendo os melhores momentos e preparando já novas expedições e projectos.
Esta viagem ao Bengasi foi sem dúvida um reencontro com velhos amigos, um fortalecimento de amizades e uma promessa que vamos continuar com mais expedições a naufrágios míticos e belos.

 

Agradecemos uma vez mais aos nossos Sponsors que nos têm apoiado desde a primeira hora, acreditando nos nossos projectos e parcerias, British Airways, Sport zone – Deeply, Solus Submersible lights, Barbolight, Kenting tools.


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