Projecto

Agios Nikolaus (P. W. – 66)
Após o projecto SS Dago em meados de Maio, fomos contactados por um pescador de Peniche que nos disse possuir umas marcas que julga serem de naufrágios, mas que nunca foram divulgadas e muito possivelmente ninguém as verificou, ficou então combinado sermos nós a faze-lo.
Desta feita ficamos a aguardar que as ditas marcas nos fossem enviadas via email, o tempo foi passando, outras expedições pelo meio ajudaram a atrasar um pouco a exploração dessas marcas, até que finalmente o tão esperado email chegou.
Obviamente que uma enorme expectativa se instalou de imediato entre nós, e assim que pudesse-mos iríamos avançar.
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*Imagens cedidas por Paulo Costa
Após o regresso do Andrea Dória e algum descanso de mar, iniciamos o ataque em força.
Liguei para o Armando e resto do pessoal para o inicio do novo projecto, as previsões eram óptimas, logo a semana que antecedeu a partida foi de árduo trabalho, buscar garrafas, encher com trimix, oxigénio, preparar novamente os rebreathers e aí vamos nós.
Seria hoje Domingo 6 de Agosto de 2006.
A equipa: Armado Ribeiro CCR Inspiration
José Marques CCR Ouroboros
Filipe Worsdell CCR Ouroboros
Sá Pinto OC
Misturas de fundo TX 15 / 51
Bailouts Ean 50
Plano – 66 metros 30 minutos , Tempo total 120 minutos.
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Sai de casa ás 4.30h da madrugada para estar em Peniche ás 6h. Mergulhar bem cedo é óptimo, está mais fresco e o vento praticamente não existe. O mar estava um lago.
No cais o ritual habitual, carregar o barco com todo o equipamento, testar e calibrar rebreathers e partir de imediato para mais uma série de fantásticos projectos.
Às 7h estávamos a caminho, boa disposição a bordo, todos estávamos com enorme expectativa, tudo podia ser possível desde a areia a naufrágio, como seria? |
No final de 30 minutos estávamos na marca, o skeeper disse – nos – Não está aqui nada, mas de imediato o Sá pinto, que estava a olhar para a sonda rectificou para – Está lá, Está lá!!.
Um eco enorme surge na sonda, era um naufrágio que parecia ser dos bons.
Shot para baixo e começámos a preparar, minutos depois estava-mos a saltar para a bóia.
Fil , Armando e eu descemos primeiro, o Sá pinto filmava sobre nós, descida perfeita, água suja até aos 20mtr, mas depois fomos presenteados com um azul escuro profundo e cristalino, estava uma loucura.
Na passagem dos 40mtr fica muito mais escuro, mas com visibilidade fantástica, aos 54mtr olhamos para o lado e….
Ficamos de “Boca aberta”, meu deus estava ali mesmo ao nosso lado, enorme, lindo.
Encontra-se normalmente assente no fundo, caímos na popa, totalmente livre de redes, é gigante e após ajustar-mos os set points, luzes e flutuabilidade, partimos para o seu reconhecimento, nadamos sobre o deck, este é bem largo mas encontra-se colapsado em algumas partes.
Após a popa, vem a parte do deck com o motor á vista e caldeiras, uma enorme Hélice de reserva encontra-se num porão totalmente já descoberto. Mais á frente e a meio navio está a ponte de comando, partida e tombada, mas pode-se lá entrar, vai ficar para a próxima, depois temos mais deck, tudo isto na cota dos 62, 64mtr, e mais á frente vislumbra-se a proa, mas esta terá de ser mais bem observada para tirarmos mais algumas conclusões.
Durante o mergulho, o Sá Pinto fez umas belíssimas imagens e o Armando outras belas fotos para o nosso álbum de recordações.
No regresso á shot, ainda fomos á hélice e leme, é o ponto mais fundo do mergulho 66mtr, é impressionante a altura da popa, do deck desta até á hélice são uns bons 12 mtr, é só um 3º andar, espectacular.
Num instante passam 30 minutos e agora teríamos mais uma hora e meia para subir, até respirar ar puro novamente.
A subida foi normal, muito lente como sempre mas sem nada a observar, tivemos sorte de o mar não mexer e a corrente não existir, foi um mergulho maravilhoso.
Vamos continuar durante mais algum tempo a explorar todos os recantos deste fantástico naufrágio, bem como tentar descobrir o seu verdadeiro nome, por agora é o Wreck 66, outras marcas surgirão, e outros navios vamos descobrir, parece que é desta que temos mergulho técnico em Portugal.
Sábado, 12 de Agosto de 2006
Equipa : Armando Ribeiro CCR Inspiration
José Marques CCR Ouroboros
Sá Pinto OC
Mais um mergulho exploratório no 66.
A viagem foi feita até Peniche pela madrugada como sempre.
O tempo estava muito nublado e o sol não queria aparecer, desta vez o mergulho seria totalmente nocturno.
Depois dos preparativos habituais e do ferro preso ao naufrágio, entrámos na água calmamente. Estava corrente, a descida demorou mais do que o normal, 4, 5 minutos depois lá estava ele, água limpa no fundo, mas a escuridão era total.
Caímos na ponte de comando, que se encontra totalmente destruída, pensamos que foi alvo de mais um bombardeamento ou explosão.
Nadamos sobre ele tentando vislumbrar e descobrir algo mais, vigias intactas para resgatar estão no fundo á nossa espera, a meio do mergulho fui com o Armando investigar a popa e o seu porão.
No cimo desta encontram-se os acessos a este porão. Tem duas entradas que têm acesso através de escadas verticais, uma delas bem apertada que é impossível descer, esta dá acesso ao veio da hélice mesmo no fundo do casco.
A outra entrada, esta mais largo dá acesso ao que penso serem os aposentos da tripulação, pois consegui ver a estrutura do restam dos beliches, no entanto precisamos de efectuar um mergulho apenas para explorar o interior deste compartimento, que julgo ser o mais interessante do barco.
No final dos 30 minutos, fomos fechar o ferro e preparar a nossa subida. O Armando tirou mais umas belas fotos e Sá Pinto continuou as belas filmagens deste nosso novo projecto.
A subida fez-se lenta e silenciosamente cumprindo as 2 horas de descompressão conforme planeado.
Precisamos de verificar a proa e o resto do navio, que vão ficar para os próximos mergulhos que serão o mais breve possível.
Quinta-feira, 5 de Outubro de 2006
A equipa: Armado Ribeiro CCR Inspiration
José Marques CCR Ouroboros
Filipe Worsdell CCR Ouroboros
Sá Pinto OC
Misturas de fundo TX 15 / 51
Bailouts Ean 50
Plano – 66 metros 35 minutos, tempo total 135 minutos.
Desta vez e para aproveitar o feriado e o bom tempo que estava previsto, não poderíamos desperdiçar esta oportunidade.
Como a Maré seria ás 14.30h, a viagem foi feita mais tarde e assim dormimos mais umas horinhas.
Estava um belo dia de sol, a viagem foi tranquila até ao cais de Peniche, após a montagem e preparação dos equipamentos, partiríamos em direcção ao wreck 66.
No entanto nem sempre as condições são as mais indicadas para nós, o barco era muito pequeno e mal dava para 4, não havia espaço para nos mexermos, a sonda era muito fraquinha e o GPS não funcionava, valeu o GPS portátil do Hugo e mais umas bóias que por sorte estavam sobre o destroço.
Estivemos mais de uma hora a tentar encontrá-lo, e mais 30 minutos para nos equiparmos, sem espaço, foi um autêntico “inferno”, mas lá descemos em segurança.
O Armando e Fil, foram primeiro, eu e Sá Pinto em seguida, minutos depois estávamos sobre a ponte de comando, na parte mais avante do navio, boa luminosidade e visibilidade, cerca de 15 trs.
A ponte está como que torcida e tombada para a frente, eu entrei por um dos lados e percorri-a por completo, no seu interior tudo está destruído e alguns compartimentos totalmente colapsados. Em seguida nadei em direcção da popa, que se encontra a cerca de 80, 90mtrs mais á frente, tendo de percorrer, seus porões abertos cheios de minério ou carvão, passando por mais uma estrutura, porão e zona das caldeiras e motor e só depois de mais de 30mtrs se encontra a popa, onde já se encontravam o Armando e o Fil.


Já na ponta final ainda fui á proa esta está um pouco mais á frente, e encontra-se a 70 mtrs, como que vertical e um pouco enterrada na areia, dá a ideia que o navio mergulhou de proa, tendo-se quebrado em seguida.
No final de 35 minutos foi tempo de subirmos, mais um mergulho muito positivo, desta vez começamos a ter a noção da dimensão geral e formas do naufrágio. Após 2h e 15 minutos de mergulho foi tempo de voltar para casa sem antes discutirmos mais pormenores do próximo mergulho, que seria no Sábado seguinte.
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Com o tempo a esgotar-se voltei para trás, agora a favor da corrente tudo é mais fácil, e deu para observar tudo novamente, é sem duvida um belo naufrágio, bem maior que o DAGO.
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Sábado, 7 de Outubro de 2006
Equipa : Armando Ribeiro CCR Inspiration
José Marques CCR Ouroboros
Sá Pinto OC
Misturas de fundo TX 15 / 51
Bailouts Ean 50
Plano – 66 metros 35 minutos, tempo total 135 minutos.
Na continuação da exploração deste naufrágio, voltámos para mais um mergulho, a viagem como sempre foi feita de madrugada, com alvorada ás 4h, e chegada a Peniche á 7h, com entrada na água prevista para as 9.30h.
Mais uma vez as condições não eram as melhores, o barco continua pequeno, mas para 3 ainda dava.
O mar estava calmo, mas o nevoeiro tapava a luz do sol, vaga larga de 1,5mtr, mas sem vento.
Na chegada ao local, largou-se ferro e equipamos em seguida. Ao cair na água, esta estava de um azul profundo e limpo, o cabo estava sobre a popa. Derivado á corrente que já se fazia sentir a descida demorou 5 minutos, o cabo já não estava na vertical.
Ao chegar ao fundo, nadou-se em volta da magnifica popa, eu entretanto fui espreitar para o interior do seu compartimento, e ainda tentei lá entrar, pela porta principal, mas esta é estreita e acanhada, e derivado ao imenso material que transportamos, é difícil e arriscado lá entrar, mesmo após algumas tentativas, não cabia, talvez se força-se caberia, mas a 66mtrs, não convém muito arriscar e forçar os acidentes.
Mesmo assim deu para observar o seu interior, que está praticamente coberto de lodo até meio, o que lá possa existir está enterrado em lama.
A outra metade do mergulho foi para observar, praticamente meio navio, com todos os detalhes possíveis, existem imensas vigias intactas de diversos tamanhos e feitios, umas abertas outras fechadas, uma das caldeiras explodiu, a outra está intacta.
Entramos dentro de mais uma estrutura e na sua periferia encontrei uma enorme travessa de louça, que talvez nos possa ajudar a descobrir a origem do naufrágio.
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Apanhei algum minério que se encontra nos porões, foi um excelente mergulho, e no final do tempo planeado 35min, estávamos no cabo, para mais uma longa subida.
No último patamar, a vaga e a forte corrente faziam-se sentir, foi um pouco desconfortável, mas tínhamos de aguentar.
O Sá pinto ainda nos filmou com a travessa na descompressão, estávamos ansiosos por vê-la á luz do dia, mas só ao fim de 135 minutos foi possível.
Foi um mergulho maravilhoso, num fantástico naufrágio, que está praticamente concluído por nós, talvez faça-mos mais um mergulho na proa para mais umas fotos e filmagens.
A fase seguinte será partir-mos para mais uma descoberta, nas águas a oeste de Peniche. Até breve….
José Marques |
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