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Peniche > Projecto Dago SS Dago (2ª Parte)

(Figura à esquerda)

SS DAGO, Navio de carga  de 1654t construído em 1902 na cidade de Dundee e operado pela companhia Ellerman`s Wilson Line. Foi afundado na primavera de 1942 por um ataque de um avião inimigo (Alemão), ao largo de Peniche, não se registaram perda de vidas.

Encontra-se a 50m de profundidade.

Desde o ano passado que esperávamos voltar ao Dago, desta vez para filmar e fotografar devidamente o tão famoso naufrágio.
Finalmente o tempo permitiu que se desse inicio ao Projecto SS Dago. Tudo combinado uma semana antes, gases prontos, máquinas ok vamos a ele!

Datas – 29, 30 de Abril e 13 Maio 2006.

Equipa dia 29 Sábado.

Armando Ribeiro – CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

José Marques       - CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

Juan Flores           - CCR – misturas AR e Ean 50

Sá Pinto                - OC  - misturas Ean 24 e  Ean 60

Carlos Valério      - OC  - misturas Ar e Ean 60

 

Levantar 6.00h, colocar equipamento no jeep e vou buscar o Sá pinto, saída de Amora 7.00h rumo a Peniche, chegada pelas 8.30h.
Armando e Juan viajaram juntos e Valério a “solo”.

Após pequeno-almoço local, foi a altura de preparar equipamentos, calibrar rebreathers e seus pré dive checks, bailouts marcados e prontos, colocar no barco todo o material e estamos prontos para largar amarras.



O mar estava calmo com vaga larga de 1,5mtr, dia lindo de sol, após cerca de 20min a navegar para oeste, eis que nos encontramos sobre o SS Dago.

A shot já estava colocada na véspera, desta forma e sem demoras foi equipar calmamente e entrar na água.
O Sá pinto e Valério foram primeiro, pois o Sá queria filmar a nossa descida.

Seguidamente Armando eu e Juan iniciamos a descer.

O plano seria fazermos 30min  a 50m  e um run time total de 90 a 100min.

Um minuto depois estávamos em cima do Dago, a visibilidade estava cerca de 20m, agua azul clara  e ligeiramente turva mas vislumbrava-se o barco na sua totalidade, parecia um milagre.

O Dago está partido em 2 partes que se encontram paralelas, zona das caldeiras e popa e ao seu lado a proa e seus porões.

Fomos nadando para a nossa direita, passámos sobre as caldeiras em direcção aos porões, seguidamente entrámos e atravessámo-los de ponta a ponta, no seu interior encontram-se rolos de uma espécie de linóleo, sacos de gesso ou cal?, Mós , e outros artefactos.
Depois nadei para a popa, circundei-a, é bela de linhas suaves, encontra-se quase na vertical com o leme e hélice ainda intactos. De fora para dentro consegue-se avistar o seu interior, tem muito para investigar com mais calma e detalhe.

Pelo caminho fomos observados por vários congros que vigiam o seu interior, novamente as caldeiras que são enormes e ao longo do deck que se encontra colapsado fomos deslizando sobre os destroços.
No final do deck verificamos que este continua enterrado no fundo e mais á frente encontra-se a base do mastro da proa.

Infelizmente estava na altura de regressar ao cabo e no final dos 30min iniciámos a subida.
Esta foi um pouco incómoda derivado a alguma corrente e fortes safanões causados pela ondulação, mas foram minimizados pela utilização das jon line.
No final foram 96min de run time.

Foi um mergulho fantástico, amanhã iríamos observar o porão com mais detalhe, por agora aguardava-nos um belo almoço e uma viagem tranquila até casa.

 

Equipa dia 30 Domingo.

Armando Ribeiro – CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

José Marques       - CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

Juan Flores           - CCR – misturas AR e Ean 50

Paulo Alves          - CCR - misturas AR e Ean 50

Sá Pinto                - OC  - misturas Ean 24 e  Ean 60

Desta vez partimos de casa do Sá Pinto pelas 8.00h, viagem tranquila com chegada ao porto de Peniche ás 9.15h, fomos tomar o pequeno-almoço e de seguida fomos observar o mar, este nem se mexia, adivinhava-se uma loucura de mergulho.

Após chegada dos nossos companheiros foi o ritual habitual, descarregar e verificar todo o equipamento, desde os gases aos rebreathers , tudo em ordem, chega a vez de carregar o barco e zarpar para o Dago.

O plano seria mais uma vez 30min de fundo e tentar explorar melhor os porões e sua carga, bem como fazer umas imagens mais exploratórias.

Na chegada á shotline, foi a vez de equipar com calma, o mar estava um espelho e alguns minutos depois estávamos a entrar na água.
A descida foi feita sem sobressaltos, o Sá pinto seguia em ultimo e filmou praticamente todo o nosso trajecto até ao naufrágio.
O Dago lá estava á nossa espera, foi estabilizar a P02 e nadar rumo aos porões, pelo caminho encontrei uma vigia intacta, irei lá busca-la um dia pensei eu.

Uma vez dentro dos porões foi a vez de os passar a pente fino, inúmeros rolos de uma tela tipo linóleo, paletes de sacos de gesso ou cal, tudo isto no meio de  tubos , cabos  e restos de redes de pesca perdidas pelo fundo.


Ao sair por um dos porões avistei um frasco de vidro, mas que infelizmente não consegui trazê-lo, pois estava num local de muito difícil acesso, vai ficar para outra oportunidade.

No caminho de regresso ao cabo, ainda deu tempo para verificar o local da vigia e dizer-lhe adeus, bem como recolher um aro de uma outra vigia mais pequena, pelo meio de tudo isto inúmeros congros observavam-nos como que a vigiar o seu Dago destes novos intrusos.

Boa visibilidade e mais um fantástico mergulho. A subida foi feita sem problemas, com os normais deep stops e restantes patamares, no final foram mais de 100min.

A viagem de regresso ao porto foi calma, um belo almoço iríamos ter de seguida.

Equipa dia 13 Maio Sábado.

Armando Ribeiro – CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

José Marques       - CCR  - misturas Tx 15/50 e Ean 50

Filipe Worsdell    - CCR – misturas AR e Ean 50

Sá Pinto                - OC  - misturas Ean 24 e  Ean 60

 

A missão era fazer, mais umas filmagens e tentar recuperar mais qualquer coisa.

O percurso foi já o normal com saída pelas 6.15h, ir buscar o Sá Pinto e chegar a Peniche pelas 8.00h, assim foi.

Após o pequeno-almoço reconfortante, começa-mos a preparação dos equipamentos e coloca-los no barco.
Correu tudo bem sem surpresas desagradáveis.

Pelas 9.15h estava-mos já em direcção ao Dago.
Após lançar ferro, foi o ritual do costume, equipar com calma e alguns minutos depois estavamos prontos para entrar.

O Sá Pinto foi o primeiro, iria filmar-nos a entrada e um a um lá fomos caindo no mar rumo ao Dago, ao longo da Shot tivemos a companhia do nosso realizador que fez uns grandes planos que vão ficar soberbos.

Já no fundo foi ajustar set points , ligar luzes e partir para mais uma descoberta.
O Armando foi tirar umas belas fotos e até trouxe consigo o seu tripé, vão ficar mais uma vez 5 estrelas.

Eu fui dar uma volta pela popa, de seguida fui tentar retirar o frasco de vidro que tem estado á minha espera, mas em vão, ficará para uma próxima.
Entrei no porão principal e depois fui visitar o porão de popa, sem muito interesse, já se encontra muito assoreado.



Já na parte final do mergulho fui tentar procurar a “minha vigia”, mas quem a já tinha encontrado fora o Fil.
Ele arrancou-a e tentava traze-la, mas derivado ao enorme peso era de todo impossível.
Só com trabalho de equipa seria possível tal tarefa, assim ele foi encontrar um resto de cabo para podermos prender a vigia ao meu balão de emergência.

Após prender-mos a vigia ao balão foi difícil enchê-lo, logo teríamos de prender todo o conjunto ao cabo do ferro, não foi tarefa fácil, mas acabamos por consegui-lo.


Com todo este trabalho extra o tempo de fundo previsto foi excedido em mais sete minutos, logo implicava mais deco.
A subida foi lenta mas tranquila e ao  fim de 110 minutos estava-mos todos no barco.

Agora aguardava-mos com alguma expectativa e curiosidade o regresso da vigia á superfície, nesse instante o cabo ficou preso, mas após algumas manobras de boa marinharia lá se conseguiu solta-lo e traze-lo para cima.

O balão não chegou com o cabo, foi a tristeza geral, mas como que por milagre segundos depois o balão surge á superfície completamente cheio com a vigia bem segura.
Foi o delírio geral, pelo menos da minha parte, simplesmente sem palavras, lá estava ela a voltar a ver a luz do dia. O Fil como bom companheiro decidiu oferecer-ma, jamais irei esquecer.
Agora vou restaura-la devidamente para relembrar para sempre este belo momento.

 

O projecto SS DAGO ficou assim realizado de uma forma muito positiva e vai dar origem a um belo documentário realizado por Sá Pinto, a passar em breve nas nossas televisões, bem como umas maravilhosas fotos e imagens do meu amigo Armando Ribeiro, que perpetuam para sempre os nossos projectos e expedições de uma forma impar sem igual.

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