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USA > Andrea Doria 50º Aniversário do afundamento
Veja também o tributo especial ao Andrea Doria

28 Junho – A partida
No entanto não foi nada fácil, durante cerca de ano e meio e com muitos contratempos pelo meio, emails, telefonemas, enfim uma luta enorme, lá se conseguiu finalmente um barco e um capitão que nos levasse até ao mítico naufrágio.
Após as confirmações de voos, transferências bancárias, assinaturas de contratos, bem como seguros, certificações e autorizações médicas, chegava a altura de partir.
Nem quero acreditar que vai ser verdade, vou contando os dias um a um e tentando controlar uma ansiedade enorme, mas positiva.
Depois de 2 longos voos, finalmente chegámos, a caminho do meeting point, no aeroporto JFK, encontramos Athena, os restantes membros, Aldo, Roberto, Adam, Marco já estavam á nossa espera. Foi um bom reencontro, rever companheiros de outras aventuras, faltavam o John e Simone que chegariam mais tarde.

Após a chegada de todos, partiríamos em direcção á cidade de Troy, a norte de New York, para conhecermos e entrevistarmos um dos sobreviventes do mítico naufrágio, o Sr. Michael Moscatello. |

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…29 Junho – O Sobrevivente.
Após uma boa noite de sono, levantámo-nos ás 8h para o pequeno-almoço, conseguimos repor as energias para o novo dia.
O Sr. Michael Mosacatello foi nos convidar para visitarmos o seu famoso restaurante italiano de nome “ Moscatello´s”.
Foi um momento fantástico, um belo espaço familiar, com fotos antigas nas paredes, e não poderiam faltar inúmeras fotos do Andrea Dória bem como notícias de jornal do dia do trágico acidente.
Seguidamente ofereceu-nos um maravilhoso pequeno-almoço, onde estivemos a conviver em privado com ele, sem duvida uma excelente pessoa.
A foto oficial do grupo com o Sr. Michael não se fez esperar e foi tirada com todos, uma lembrança inesquecível.
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Depois foi o início de uma enorme aventura nos USA. Foi-nos dito que o Capitão não pode levar com ele alguns equipamentos necessários para a expedição, desta forma teríamos de ir com urgência busca-los ao seu escritório em Brooklin, antes das 17h. |
Esta viagem até Brooklin teve inúmeras peripécias, desde ficarmos perdidos no meio de Manhatam, apanharmos uma chuvada diluviana, bem como chegarmos ao nosso destino final (Montauk – Long Island) só á meia-noite, foi um dia louco.
…30 Junho – O Terror
Já de manhã pelas 11h fomos tomar pequeno-almoço ao bar “SALIVAR`S”, tipicamente americano situado junto a uma das marinas de Montauk, local igualzinho ao do filme o Tubarão, a pesca grossa e de alto mar são as actividades principais por estas bandas.
O bar tem milhares de fotografias expostas bem como enormes peixes e tubarões pelos tectos e paredes, não faltam a mesa de snooker, máquinas de flipers, jogos de setas e jukebox, afinal estamos na América.

Mais tarde fomos conhecer o capitão Joseph Terzuoli, que se encontrava no seu barco john jack, fundeado na marina, o objectivo seria um breefing das operações.

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Um pesadelo de terror impensável teve início logo após almoço.
O capitão é uma figura tipicamente americana do mais arrogante e filho da p…possível. Obeso, porco e mal criado, age como se fosse um rei, dá ordens a tudo e todos e não se mexe para nada, só visto. |
O breefing consistiu nas regras do barco, tipicamente americanas onde quase tudo é proibido, e em anunciar que tem mais de 100 mergulhos no Andrea Dória, logo é o maior e o Dória o mais difícil e perigoso naufrágio do mundo, e nós eramos uns meninos de me…
No final do breefing lá fomos todos almoçar, totalmente estupefactos com o que tínhamos acabado de ouvir. As nossas garrafas de bailout e gases chegariam ás 17h e teríamos tempo para preparar todo o nosso equipamento.
Depois de constatar a super estupidez do capitão, pensei por momentos que tudo aqui pode ser possível mesmo o impensável. Será que ele teria pesos para nós, algo de básico elementar em todo o mundo do mergulho.
Questionei Aldo, que de imediato quis confirmar junto do capitão e… bingo acertei em cheio.
A primeira bomba tinha rebentado, como não perguntámos ao capitão este simplesmente não trouxe os pesos. Com as lojas a fecharem a única loja de mergulho ficava a 2.5h de caminho para cada lado, logo seriam 5h de condução para arranjar 100kg de pesos, e para estupefacção de todos o capitão não se mexeu para nada, nem para fazer um único telefonema, não dava para acreditar.
Como por milagre Aldo lá encontrou uma loja e foi de imediato com John, teríamos de esperar 5 h, só chegariam por volta das 20h.

Ficamos loucos, mas ainda faltavam as garrafas que só chegaram pelas 18.30h. Uma carrinha totalmente cheia com os gases para a expedição e o sofnolime.
A segunda bomba iria estourar nas nossas mãos.
A maioria das garras de bailout eram sistema yoke americano e não sistema din , conforme lhe tínhamos pedido.
Ficamos para morrer, pois ninguém tinha sistema yoke logo não haveria maneira de mergulhar com os nossos reguladores.
O capitão mais uma vez sabia que nós só tínhamos sistemas din e disse que o Aldo já sabia que isto iria acontecer, uma mentira das maiores.
Após muito esforço e quase em desespero tivemos de fazer a relação das garrafas Din e Yoke. Para analisar os gases foi outra loucura, a arrogância do capitão era de fazer saltar a tampa a qualquer um, eu só não o parti todo por respeito á expedição e aos colegas. Por minha vontade já não ia, mas partia-o todinho. |

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O capitão passou um atestado de palhaços a todos nós, queria o número da garrafa, o gás que continha e a quem iria pertencer a dita. Para tal inútil tarefa não mexeu um dedo, para um papel, caneta e tão pouco para descarregar a carrinha.
Afinal quem eram os clientes? Para estes americanos filhos da p… isso não existe, não respeitam ninguém, está para lá do impensável.
O Aldo quando chegou ficou louco, mas tínhamos todos de arranjar uma solução impossível.
Após vasculhar nos sacos, lá se encontraram como por milagre 8 adaptadores e assim já poderíamos mergulhar apenas com um regulador yoke e 2 garrafas, ou seja se queríamos ir ao Dória, teríamos de mergulhar com 2 garrafas bailout e apenas um regulador. Em caso de emergência teríamos de mudar o regulador de uma garrafa para a outra em stress, o que seria complicado, mas decidimos lutar até ao fim, só uma equipa destas com um espírito de união fantástico conseguiu vencer a arrogância, ignorância e incompetência destes americanos de m…
Com todos estes tristes e inacreditáveis episódios só depois do jantar e ás 24h é que partimos para o nosso desejo de uma vida chamado Andrea Dória.
Iriam ser cerca de 12h a navegar 100 milhas para offshore.

O deck estava lotado, pois a tripulação também ia mergulhar em circuito aberto e como bons americanos encheram todo o deck antes de nós, os verdadeiros clientes, depois tivemos de arranjar um cantinho para as nossas máquinas.
Fomos dormir todos juntos numa só cabine, foi a loucura total mas lá nos conseguimos arranjar, e dormimos que nem uns anjinhos, estávamos emocionalmente de rastos, mas afinal deus continuava connosco.
1 Julho – O sonho foi realidade.
Finalmente e depois de estar a sufocar dentro do fato com todo o equipamento ás costas ouvi Go Go e saltei para um mergulho para a vida inteira. Agua gelada a 8 graus, a descida foi com o Armando, que já estava á minha espera no cabo, em 3 minutos chegamos, a shot estava mesmo no bico da proa, lá estava ela fantástica, gigante sem palavras para descrever, estávamos no mítico Andrea Dória.
Nadamos sobre o seu bordo até á primeira fractura ali existente, depois descemos para o deck e fomos nadando ao longo deste até encontrarmos o primeiro buraco feito pelo colapso da superstrutura, entrámos e é como uma galeria gigante e totalmente escura, ficamos perdidos na sua imensidão, qualquer dos lados que possamos escolher entravamos nos seus corredores labirínticos, ainda entrei num corredor por alguns momentos, mas com o tempo a passar e tanto para ver, decidi sair e continuar a apreciar as suas formas, continuamos contra a corrente que se fazia sentir ao longo do deck, descemos mais um pouco até ao fundo 75 metros, lentamente fomos subindo e voltamos a nadar mais para o interior do deck, este é enorme na sua largura, quase que nos perdemos na sua dimensão, agora a favor da corrente fomos deslizando na direcção da shot, sempre lado a lado, as filmagens devem de estar uma loucura.

Já na shot avistamos Aldo e Roberto que filmavam a proa, Adam e John desciam sobre nós, lentamente dissemos adeus ao Dória, o primeiro mergulho estava feito, agora seriam 1.30h a subir, com agua gelada e muito tapada, e como sempre em mar aberto temos de colocar jon line, pois os sacões no cabo são fortíssimos, excepção para um americano como não podia deixar de ser, que além de ter jon line nunca o usou e preferiu agarrar-se com as duas mãos á shot, fazendo um esforço descomunal e perigoso, só visto.
No final da deco foram 2h de mergulho, a subida para o barco é feita por uma escada na popa. O resto foi uma alegria enorme de um primeiro mergulho no Andrea Dória que é difícil de descrever só sentindo, estamos ambos muito orgulhosos, pois somos os primeiros Portugueses a consegui-lo.
Finalmente o dia foi passado a tratar do equipamento para o dia seguinte, o jantar foi servido ás 19h.
Conversas animadas e alguns vídeos do Roberto, ajudaram a passar a noite e depois fomos dormir, amanhã vamos ter mais um dia longo. |



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2 Julho – A Tempestade.
Hoje seria o dia principal sobre o Andrea Dória, iríamos tentar 2 mergulhos.
Acordamos cedo com boas perspectivas de mar. Dia lindo de sol, a após pequeno-almoço, uns snacks e cereais e pouco mais, começámos a preparar os equipamentos.
Pelo meio da manhã já o deck do barco vivia uma azáfama teckie, rebreathers, analisadores, bailouts, lanternas, sofnolime, enfim tudo a preparar-se para mais um grande mergulho, mas a corrente teria de estar de feição.
Após o ok, lá fomos mais uma vez direitos á Grand Dame dos mares, desta vez a shot estava um pouco mais á frente entre a ponte de comando e a fractura da proa.
Ao fim de 3 minutos estamos sobre o seu casco, mais uma vez é descomunal, havia alguma corrente no fundo, a visibilidade de 4 metros não ajudava nada, estava escuro muito escuro.
Nadamos até á fractura e entramos, dá para nos perdermos com facilidade, continuamos depois sobre o deck até ao local da super estrutura, descemos até ao fundo e olhando para cima é algo descomensoradamente enorme, parece um prédio de 10 andares, regressámos para a shot aos 30 minutos de mergulho.
Depois foram 2h de mergulho, na shot a corrente é forte com água gelada, a partir dos 30 metros para cima temos de colocar jon line pois os sacões provocados pela ondulação são muito fortes, atingindo por vezes 1,5 a 2 metros de amplitude. Estava feito o segundo mergulho.
Regressamos ao barco, tentamos comer alguma coisa e descansar um pouco, são mergulhos violentos para o físico.
A meio da tarde por volta das 16h, iríamos tentar o segundo mergulho do dia.
O tempo estava a mudar, o vento aumentava de intensidade bem como as vagas aumentavam o seu tamanho, o barco abanava bastante e a corrente ficou muito mais forte, e seria difícil repetir outro mergulho, é incrível como as condições de mar mudam de um momento para o outro no meio do oceano.
Nós queríamos tentar, excepto o nosso capitão. Este queria ir embora o mais rápido possível, argumentando que o mau tempo iria continuar por mais 1 dia ou 2, logo teríamos de abandonar o Andrea Dória.
Nem queríamos acreditar no que nos estava acontecer, a tristeza a frustração e uma enorme desilusão tomava conta de nós.
Sabíamos também que ninguém estava ao nosso lado e que as informações meteorológicas poderiam não ser tão verdadeiras como nos diziam.
Foram momentos muito difíceis, a continuação do nosso sonho estava a desfazer-se, e após reunião geral de toda a equipa, resolveu-se não correr riscos e regressar.
Acabava assim de uma forma inesperada a nossa expedição, sentimo-nos traídos por um punhado de cobardes.
No entanto e como se não bastasse o pior ainda estava para chegar.
O acordado foi no caminho de regresso mergulharmos num submarino USS Bass, que fica a 9h de viagem.
O tempo na verdade piorou naquela noite, a viagem de regresso foi uma verdadeira aventura impossível de esquecer, um verdadeiro pesadelo.
Após o difícil jantar, uma pasta horrível, servida por um capitão porco e javardo, já ninguém conseguiu comer nada de jeito, alguns de nós tivemos de o vomitar, eu inclusive, as condições a bordo estavam a ficar difíceis, a corrente fortíssima atravessava o barco ás vagas, o que é perigoso, a shot nesse momento partiu, e tivemos de partir.
Todos nós fomos tentar descansar o mais possível, tarefa muito difícil, com o barco a navegar a uma velocidade excessiva com um mar de meter respeito, a viagem foi horrível.
Ninguém conseguia dormir, excepto Roberto, os saltos eram consecutivos, parecia uma montanha russa constante, todos os nossos pertences como roupas, máquinas de vídeo, fotográficas, electrónica de rebreathers, tudo e mais alguma coisa foi para ao chão, era uma loucura total, as gavetas da cozinha saltavam para fora, tudo estava espalhado, no deck o equipamento já rolava no chão e era impossível fazer alguma coisa, e ainda faltavam pelo menos 9h daquela tormenta, contavam-se os minutos que pareciam não passar, por 3 ou 4 vezes o barco esteve todo no ar, todos saltamos dos beliches, eu batia com o peito na cama de cima, foram momentos de uma experiência inacreditável.
(...) U.S.S. Bass (nota:saltar para página sobre U.S.S. Bass - Expedição nos EUA)
Quando atracámos descarregamos todo o equipamento, e arrumamos tudo na carrinha e seguidamente vestimos a farda oficial da expedição para a tão aguardada foto de uma vida, a foto oficial da expedição Andrea Dória 50º aniversário.

Momentos fantásticos e únicos que jamais iremos esquecer, a alegria e orgulho estava nas nossas caras, ainda tivemos o prazer de brindarmos com uma pequena taça/copo em estanho encontrado por Aldo dentro do Dória, foi a nossa taça e prémio merecido, algo de fantástico, era impossível esconder a emoção WE DID IT.
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Mais tarde fomos tomar banho, o único ao fim de três dias, ao nosso motel, e depois um belo jantar numa esplanada junto ao mar, brindado com champanhe, afinal de contas bem merecido, pois afinal tínhamos conquistado o tal Everest do mergulho.

Adeus e até à próxima!
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